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Diplomacia do cifrão Com as mãos no Mercosul estremecido e com os olhos na Alca ressabiada, a diplomacia comercial do Brasil organizou para o fim do mês um encontro de dois dias, em Brasília, para os 12 chefes de Governo da América do Sul. Na agenda da cumieira continental, a afinação de uma política em bloco para a negociação, com os Estados Unidos, da futura Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Antecipando-se ao encontro sul-americano, Brasília hospeda hoje a secretária de Estado Madeleine Albright e, na semana que vem, o embaixador Richard Holbrooke, representante dos Estados Unidos na ONU. Para Washington, o Governo FHC ainda torce o nariz para a futura Alca e tem massa crítica para esfriar o ânimo de toda a América do Sul nessa direção. Bingo! O Brasil já disse claramente que prefere, antes de avançar na carpintaria do mercado comum das três Américas, consolidar a maturação (com ampliação) do Mercosul e costurar um acordo aduaneiro com a União Européia ciumeira maior do Tio Sam. Argentina e Chile (esnobado pelo Nafta) sustentam a mesma coisa. Na cúpula da América do Sul, representação de um PIB de US$ 1,5 trilhão para 337 milhões de terráqueos, os Governos pretendem lançar as bases de uma integração física e não apenas salivar. Sob o guarda-chuva do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), serão mapeados projetos de redes ou malhas continentais de energia, telecomunicação e transportes. Os andinos querem chegar ao Atlântico por hidrovias, rodovias e ferrovias. E o Brasil pretende alcançar o Pacífico pelo Chile e pelo Peru. Quando? Até 2010. Na energia, Venezuela, Equador, Peru e Argentina são auto-suficientes em petróleo. O Brasil está a apenas 16% da auto-suficiência. Há duas décadas, purgava dependência de 83%. A Bolívia tem gás natural para dar e vender e o Brasil recoloca investimentos em hidrelétricas e termoelétricas a toque de blecaute. Nas telecomunicações, Brasil e Argentina ainda não conseguem falar portunhol. Recentemente, escolhas estratégicas de monta acabaram seladas em sentidos opostos. A Argentina optou por padrões americanos para telefonia celular e televisão digital. O Brasil preferiu padrões europeus e asiáticos, de maior alcance global. Ora, se há um campo em que se deve buscar e zelar por um padrão único (de resto, um truísmo), é precisamente o das telecomunicações. Tanto para uso interno como para uso externo, a compatibilidade dos sistemas vale mais que o custo ou a qualidade dos próprios. Brasília diz que os argentinos pisaram na bola. Buenos Aires retruca: os brasileiros também. Desacordo
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