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BOM JARDIM
Paisagens incríveis e vocação natural para os esportes radicais

Conhecida pelas vastas plantações de abacaxi e banana, a próspera cidade do Agreste pernambucano possui casarões seculares, um importante acervo em arte sacra, paisagens incríveis e vocação natural para os esportes radicais

por Julliana de Melo

Serras e vales extremamente verdes e floridos embelezam a paisagem do município de Bom Jardim nesta época do ano. Localizada a 110 quilômetros do Recife, em pleno Agreste pernambucano, a pequena cidade festeja a chegada das chuvas, prenúncio de mais produtividade, embora tanto tenham castigado o litoral e a Mata Sul do Estado nos últimos dias.

É de encher os olhos observar, durante o caminho, as plantações de banana e abacaxi se multiplicarem pela estrada, anunciando bons tempos de colheita. A cultura dessas frutas é uma das principais atividades econômicas de Bom Jardim, tornando-se a fonte de renda de grande parte dos moradores. A cidade possui cerca de 36 mil habitantes, sendo mais da metade de população rural.

A safra do abacaxi, inclusive, é comemorada, todos os anos no mês de novembro, com a Festa do Abacaxi, garantindo dias de muita diversão com apresentações de grupos folclóricos e bandas de forró. Ao programar uma visita ao lugar, é melhor fazê-la estando atento ao seu calendário de eventos para aproveitar todas as manifestações populares que Bom Jardim tem a oferecer.

As festividades se concentram basicamente no centro, no largo em frente da igreja matriz Nossa Senhora de Sant’Ana, erguida pelos missionários capuchinhos no século 18, em homenagem àquela que é hoje padroeira da cidade. É lá onde os festejos religiosos e profanos acontecem, harmônicamente. É comum missas e procisões serem realizadas ao lado de apresentações de música, com a tradicional banda de pífanos, e de dança, como o caboclinhos, o cavalo-marinho, o maracatu de baque solto e o pastoril. O local parece ser também o ponto de encontro preferido dos moradores. Muita gente aparece para rezar, naturalmente, outros para namorar ou manter as novidades em dia, outros, apenas para apreciar sua arquitetura.

A igreja foi reconstruída em 1876. De estilo toscano já um pouco descaracterizado, seu interior é composto por altar-mor, pintado em branco e revestido em dourado, e oito altares laterais, abrigando imagens de grande valor artístico, destacando-se as de São Pedro e São Paulo, em tamanho natural, talhados em pedra. E ainda, a imagem bisecular de Sant’Ana, feita de madeira e revestida em ouro. Na parte posterior da igreja, um local privilegiado pela vista que proporciona da parte baixa do município, foi construído um marco comemorativo aos 500 anos de evangelização na América Latina, em meio a um jardim.

ARQUITETURA – A cidade é permeada por casarios seculares, frutos da dominação portuguesa e dos tempos áureos da cana-de-açúcar, como o sobrado da Rua das Beneditinas. Sua fachada é toda em azulejos portugueses trabalhados em alto relevo. A construção ainda tem o frontão encimado por duas pinhas e, no pavimento superior, janelas com guarda-corpos em gradil de ferro. Em suas instalações funciona atualmente uma das dependências do Colégio de Sant’Ana.

Outros exemplos interessantes da arquitetura urbana são a Capela de Nossa Senhora do Carmo, construída em 1814; o casarão da Rua Dr. Osvaldo Lima, com fachada ornada por azulejos portugueses; e o antigo prédio da cadeia pública, hoje sede da Casa da Cidadania da Prefeitura, que tem como patrono o conterrâneo Francisco Julião, poeta, jornalista e preso político de 64. Em sua homenagem, foi erguido na frente do centro um busto de bronze.

Para se ter uma visão mais geral de Bom Jardim, uma opção é se deslocar ao mirante do Alto Derby, apenas a dois quilômetros do centro. O panorama garante um cenário muito agradável do sobe e desce bucólico das ladeiras, destacando as inconfudíveis torres da igreja de Nossa Senhora de Sant’Ana.

Descobrir a terra do escritor Mário Souto Maior e do músico Capiba é vivenciar passeios que trazem saudosas lembranças do passado, das brincadeiras de criança, do caminhar tranqüilo e das amizades sinceras. Algumas pessoas chegam a dizer que Bom Jardim estacionou no tempo, carregando um certo charme nostálgico.

Aproveite o clima para circular a pé pelas ruas estreitas da cidade. Não deixe de fazer compras na feira pública, sempre às quartas-feiras e sábados, e de experimentar o delicioso doce caseiro de abacaxi.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.08.2000
Quinta-feira