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BOM JARDIM III Bons momentos com os moradores Por conservar os hábitos de sossego e hospitalidade típicos das cidades interioranas, o bomjardinense é um povo alegre e simples, sempre disposto a ajudar os visitantes e bater aquele dedinho de proza, na esquina, no banco de praça ou, de preferência, na calçada de casa, ao entardecer. É gente bonita e humilde, com traços bastante acentuados do incrível caldeirão de influências étnicas que é o Brasil. Com um jeito acanhado e certo ar de inocência, cada morador guarda curiosidades e muitas histórias para contar. Ao visitar o município, vale a pena estar aberto para fazer novas amizades. Conheça, abaixo, a vida de algumas figuras interessantes, que, certamente, podem cruzar o seu caminho durante a estadia na cidade. A dona do melhor tempero da região A ex-costureira Maria José Soares, 42 anos, já perdeu a conta do número de pessoas que teve o prazer de conhecer depois que abriu, há dois anos, um dos restaurantes mais procurados da região. Tenho clientes fixos de Caruaru, Carpina e Recife, que freqüentemente aparecem por aqui para matar a saudade do meu tempero, orgulha-se. Tudo começou com um minúsculo pé-de-barraca, onde Dona Maria, como é mais conhecida, vendia cachaça e tiragostos para os moradores. Começei a dividir o almoço que fazia lá em casa com algumas pessoas, e, então, os pedidos começaram a chegar, lembra. Uma das especialidades é o capão guizado, pinto castrado, de carne saborosa e macia, servido com pirão, fava e arroz. Outros pratos regionais, como mão-de-vaca, feijoada, carne-de-sol e sarapatel, também têm bastante saída. Qualquer pedido, com acompanhamentos, custa R$ 5 o preço pode variar para mais ou para menos, de acordo com a quantidade de comida servida. Para dar conta de tanta procura, a solução foi colocar, literalmente, água no feijão e ampliar o bar. O nome do estabelecimento, Dama de Ouro, permaneceu e, para atender a demanda, a família (quatro filhos e uma nora) passou a trabalhar junta, em tempo integral. Nos finais de semana, os visitantes fazem fila, esperando alguma mesa desocupar. Ao todo, por mês, são vendidos 600 capões. Dona Maria confessa que já precisou contratar outras pessoas para ajudar no serviço, mas garante que na cozinha ninguém chega. Apenas eu e minha filha preparamos os pratos. Preferimos trabalhar mais do que correr o risco de errar no ponto, mudando o sabor dos pratos. Afinal, ficamos conhecidos por esse motivo. (J.M.) As simpáticas freiras da hospedaria Largos sorrisos e abraços calorosos. É assim que o turista é recebido quando chega na hospedaria do Colégio SantAna, o único lugar disponível na cidade para esticar o corpo e dormir um sono tranqüilo. Aos cuidados das simpáticas irmãs Verônica, 70 anos, e Míriam, 62, o local inspira serenidade. Ambas decidiram ser freiras ainda na adolescência. Servir e acolher o próximo é nossa vocação. No próximo ano, o colégio, que pertence à Congregação Religiosa Beneditinas da Virgem Maria, completa cinco décadas de atividade. Na entrada, é possível perceber os cuidados das freiras para deixar o ambiente sempre aconchegante. Um jardim, com variados tipos de flores e plantas, garante um colorido intenso, dando boas-vindas aos hóspedes, em sua maioria desconfiados por estarem numa escola de freiras. O constrangimento inicial passa rapidamente, quando as irmãs seguram o visitante pelas mãos para apresentar cada cantinho do estabelecimento que, apesar da capacidade de atendimento reduzida (no máximo, 30 pessoas), possui uma estrutura razoável, com quadra de esportes, auditório, playground, sala de TV e capela. Ao resolvermos adaptar o colégio para receber hóspedes, há menos de dez anos, precisamos fazer algumas modificações. Procuramos deixar os quartos confortáveis e mais isolados das outras salas, sem prejudicar o andamento das aulas nos dias letivos, explica irmã Verônica. Cada apartamento tem um toque especial das beneditinas. A decoração lembra algo do tipo a casa da vovó, com móveis antigos, camas macias, lençóis sempre perfumados, almofadas fofinhas e cadeiras de balanço. Os quartos também possuem ventiladores, TV, frigobar e água quente no chuveiro. As freiras ressaltam, no entanto, que é importante fazer reservas antecipadamente. O contato prévio é uma forma de garantir nossa segurança, diz irmã Míriam. (J.M.) O artesão mais criativo da cidade Para chegar até ele é muito fácil. Basta perguntar a qualquer pessoa na rua pelo artesão. Famoso por sua criatividade na produção de peças feitas em pedra, Marcos Ferreira da Silva, 44 anos, é um exemplo do que se pode chamar de potencial ainda não descoberto. Nunca na vida pensei em ser artista. Em 1982, no entanto, Marcos decidiu participar do recém-inaugurado núcleo de artesanato de Bom Jardim. Foi mais por curiosidade do que por qualquer outro motivo. Em menos de um ano, Marcos foi considerado revelação no grupo e passou a ensinar a outras pessoas a arte de esculpir. Hoje, ele conta com o prestígio e a admiração dos moradores e representa a cidade em feiras de artesanato realizadas em todo o Estado. Suas obras incluem desde objetos decorativos, como estátuas e vasos, a peças utilitárias, como cinzeiros e cabos de talheres. Dos temas utilizados, as imagens de animais aparecem com mais freqüência. Gosto de dar formas às pedras, transformando-as em bichos, em especial, aves. Na sala de estar da sua casa, ele guarda como troféu algumas peças preferidas, como o pássaro sobre cristal, com base em sodalita. No auge da carreira, o artesão chegou a produzir até 60 peças por mês. Há dois anos, no entanto, não faz um objeto sequer. O núcleo fechou, e é lá onde se encontram os instrumentos apropriados para trabalhar as pedras sem danificá-las, lamenta. Marcos espera, confiante, que o centro seja reativado até o final deste ano, como prometido pela prefeitura local. Aí, vou produzir bastante, aceitar encomendas e vender o fruto do meu trabalho, anima-se. O artesão garante que tudo o que é produzido é muito bem comercializado. O valor das peças fica entre R$ 1 e R$ 150, variando de acordo com o tamanho da obra de arte e com o material utilizado.(J.M.) |
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