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JET LAG
Saiba como se livrar do mal-estar nos vôos longos

Sabe aquela viagem tão sonhada? Ela pode perder todo o encanto inicial caso um famoso distúrbio resolva escolher você como vítima. Conhecido como jet lag, o mal é provocado pelo desajuste no sensível relógio interno humano, causando fadiga, enjôo, irritabilidade, desorientação e dormência no corpo. O problema atinje principalmente pessoas que passam muitas horas a bordo de um avião, trocando horários de dormir e mesmo de se alimentar. Geralmente, quanto maior a diferença de fuso horário, mais predisposição a algum problema do distúrbio.

O fenômeno é atribuído à captação de luz pela retina e pela pele. Regulado por um par de núcleos encontrados no hipotálamo (cérebro), nosso relógio biológico entra em parafuso quando estes núcleos se desincronizam, fator causado justamente pela ‘recepção’ da luz em horários não usuais.

Segundo o médico Luís Tito França, plantonista do posto médico do Aeroporto dos Guararapes, o jet lag pode acontecer até com pessoas acostumadas a utilizar aviões como meio de transporte. “Há alguns dias, cuidei de três aeromoças de um vôo internacional que chegaram aqui apresentando sintomas desse distúrbio. Tive de atendê-las dentro da aeronave, e foi necessário enviá-las a um hospital e cancelar o vôo”, conta o médico.

A jornalista Maria Adelaide Ribeiro, 23 anos, chega a sentir náuseas ao ouvir o barulho de uma aeronave. “Preciso tomar remédios quando vou embarcar, ou não agüento a viagem. Há algum tempo, fui para a Argentina, num vôo que durou oito horas (incluindo uma conexão). Durante todo o tempo, vomitei e senti náuseas”, conta Maria, que precisou ser medicada pela tripulação para resistir ao vôo.

A irritabilidade é outro sintoma comum nas pessoas que são atingidas pelo problema. A própria Maria Adelaide conta que, quando chega ao destino final da viagem, tem vontade apenas de se trancar num quarto para não ter de se comunicar com ninguém. “Há algum tempo fui para Portugal visitar minha família. Quando cheguei, em vez de comemorar, queria apenas deitar e descansar. Não tinha qualquer paciência para relatar a viagem”, conta.

O problema é ainda maior naquelas pessoas que viajam para o Leste, onde o horário está adiantado em relação ao nosso. Vôos para o Oeste são menos danosos ao organismo.

MELATONINA – O famoso sentimento de desorientação e a perda de memória também são freqüentes nas pessoas com jet lag. O fato é perigoso principalmente quando se chega a um país estranho e de língua desconhecida, por isso é aconselhável seguir algumas recomendações médicas para amenizar os efeitos do distúrbio.

Um dos procedimentos mais comuns é adequar, antecipadamente, seus horários de dormir e se alimentar, como se já estivesse no país a ser visitado. Este procedimento ‘treina’ o organismo às novas condições e o torna mais apto às mudanças bruscas. Outra dica importante é procurar não dormir no avião caso você vá chegar ao destino durante à noite. Desta forma, o sono é ‘ guardado’ para o horário correto.

Chegando ao local, caso ainda seja dia, é bom caminhar um pouco – apesar do cansaço – e se expor à luz solar brilhante, o que vai fazer o relógio interno do organismo se ajustar naturalmente. Atualmente, pesquisadores estão tentando descobrir se a melatonina (substância que dá coloração à pele) possui alguma influência sobre os efeitos do jet lag.

Um teste realizado em alguns viajantes mostrou que, caso eles recebam 5 miligramas de melatonina durante três dias antes da viagem (em horário correspondente à noite na cidade de destino) e três dias após a chegada (antes de irem dormir), o sono não chega a ser desincronizado. A saída, porém, não pode ser utilizada em todas as pessoas, já que a reação à melatonina é, muitas vezes, adversa.

Para o médico Luís Tito França, uma das saídas mais comuns para amenizar o mal-estar é o uso de drogas anti-emédicas, que controlam o estômago, aumentando a digestão gástrica. “Esses remédios realmente podem trazer maior sensação de bem-estar e evitar, por exemplo, que o passageiro vomite ou sinta náuseas”, explica. (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 10.08.2000
Quinta-feira