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TAQUARITINGA DO NORTE
Essa brincadeira é para quem tem fôlego

por Julliana de Melo

Depois do festejado Circuito do Frio, Taquaritinga do Norte se despede das caravanas de turistas que compareceram na primeira edição da Festa das Dálias, realizada no final de semana passado, e aguarda ansiosa por um outro tipo de público. Esportistas, aventureiros e curiosos devem invadir a cidade nos próximos dias para participar do 2º Enduro das Serras, prova válida pela 5ª etapa do Campeonato Pernambucano de Motociclismo.

O evento está envolto em muita expectativa, já que, ano passado, os pilotos que participaram do enduro elegeram as trilhas nortetaquaritinguenses como as melhores do Campeonato/99.

Os hotéis do município – apenas dois, o Hotel Fazenda e o Grande Hotel Jorge Eduardo –, estão com quase todas as vagas reservadas. A programação segue, incluindo atividades culturais paralelas, como apresentações musicais e feirinhas típicas.

Além do colorido das flores, como orquídeas, rosas, palmeiras imperiais, seringueiras e, é claro, várias modalidades de dálias – que tornaram-se o cartão-postal da cidade –, Taquaritinga do Norte encontra em suas serras e topografia acidentada, o ambiente propício para a prática de esportes radicais e do turismo de aventura.

POTENCIAL ECOLÓGICO – A cidade é rodeada pela Serra da Taquara e encontra-se a 785 metros acima do nível do mar, garantindo ar puro e temperatura amena praticamente o ano inteiro.

Para agüentar o frio, que chega até 10 graus no período de inverno, é melhor equipar-se com agasalhos, luvas e uma boa capa de chuva. Uma garoa fina e insistente não dará trégua ao visitante. Poucos minutos de exposição a céu aberto é o suficiente para molhar toda a sua roupa.

Um das atrações mais populares da região é a Rampa do Pepê, situada no topo da Serra da Taquara, considerada o segundo ponto mais alto do Estado, com 1.060 metros de altitude (o primeiro é o Pico do Papagaio, em Triunfo, com 1.200 metros). No circuito do vôo livre, sempre realizado no mês de novembro, as competições chegam a atrair mais de 15 mil pessoas.

Nos outros meses do ano, no entanto, a rampa continua sendo procurada pelos turistas e moradores, seja para praticar vôo livre e parapente ou, simplesmente, contemplar o cenário belíssimo da região do Alto Capibaribe. Para chegar até lá, o transporte tem que ser digno de um verdadeiro aventureiro. O mais indicado é aquele com tração 4 por 4, que pode ser alugado no centro, ao preço médio de R$ 20.

DUREZA – Para os mais dispostos, existem trilhas ideais para fazer, a pé, o percurso dos principais atrativos naturais de Taquaritinga. Completar todo o roteiro, no entanto, requer um dia inteiro de muito chão e lama pela frente.

O terreno é íngreme e certos trechos do trajeto estão bastante prejudicados, em decorrência das chuvas. Por isso, para encarar o caminho com o menor índice de escorregões possível, é necessário usar calçados apropriados, de preferência aqueles com pinos e solados de maior aderência.

Dentro da mata, o clima muda, tornando-se quente, abafado e úmido. Agüentar o tranco significa suportar horas e mais horas de subidas e descidas.

PELO CAMINHO – A alimentação, então, passa a ser um item importante. Carregue em mochilas comida e, principalmente, bastante líquido para evitar desidratação durante o passeio. O ideal é procurar um guia local ou um morador que conheça bem a região para direcionar as trilhas.

Tudo pronto. O ponto de saída é no centro da cidade em direção ao Monte do Cruzeiro. Símbolo da fé, o cruzeiro foi erguido em um local privilegiado, oferecendo uma visão panorâmica do 3º distrito de Pão de Açúcar.

Até chegar lá, porém, um razoável caminho de subidas deve ser superado. O aparecimento de cruzes na estreita estradinha de barro indica o caminho correto a seguir.

O trekking está apenas começando. A primeira trilha serve apenas como um esquente ou uma prévia do que ainda está por vir. Toda a Serra da Taquara será percorrida mata adentro.

Com um pouco mais de seis horas de pé na estrada, é comum o corpo pedir descanso. Os pés, geralmente, são os primeiros a incomodar. Nada, no entanto, que venha atrapalhar a aventura.

Durante a caminhada, faça paradas regulares, ajudando a repor as energias. Aproveite para colher alguns frutos das inúmeras árvores espalhadas pelo trajeto. Laranjas, cajás e acerolas são encontradas aos montes ao lado de plantações de milho e café.

Algumas casas e sítios aparecem espaçadamente no caminho. Alguns moradores incentivam o grupo, oferecendo água e um pouco mais de animação para concluir o passeio, que tem como ponto final a Rampa do Pepê.

LIGHT – Uma opção de roteiro alternativo e menos puxado tem início na Fazenda Boa Vista, um pouco mais afastado do centro. Destaque para o sítio arqueológico da Pedra da Figura, que guarda inscrições rupestres bastante conservadas.

Outra atração é o Sítio Queimadas, onde 500 mil litros de água formam a barragem João Arruda da Silva, onde a população local freqüentemente aparece para tomar banho e pescar.

Já na Serra do Cumbe, deliciosos morangos cultivados no lugar podem ser saboreados pelos visitantes, que ainda ganham um bonito panorama da região, no seu mirante.

Não deixe de passar no distrito de Gravatá do Ibiapina e visitar a Capela de Nossa Senhora da Conceição, famosa por suas imagens e altares esculpidos em madeira primitiva.

Serviço

2º Enduro das Serras - 13 de agosto.
Mais informações na Secretaria de Turismo - (81) 733.1156 / 1233

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Jornal do Commercio
Recife - 10.08.2000
Quinta-feira