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PROJETO
Um estímulo ao turismo rural no Estado

por Fabiana Moraes

Açúcar, cachaça, casa grande, maracatu, senzala. Reviver e experimentar os elementos típicos de um velho engenho de cana-de-açúcar pode ser a mais nova oferta turística de grande porte do ainda capenga turismo rural pernambucano. Um projeto desenvolvido pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD-Diper) pretende elaborar um circuito turístico totalmente formado por estes antigos sobrados que já foram símbolo maior do Estado e hoje estão fadados ao ostracismo. A idéia, que foi colocada no papel há apenas cinco meses, já vem atraindo o interesse dos proprietários, que vêem nela a possibilidade de lucros com a utilização destes espaços como atrativos de lazer.

“Atualmente, um engenho representa apenas uma despesa. É, na verdade, centros de custos”, diz o presidente da AD-Diper, Kléber Dantas, responsável pelo projeto junto a uma equipe da agência de desenvolvimento. A proposta é compor um circuito hoteleiro que abrigue um tipo específico de visitante, preferencialmente o de classe média alta, similar ao existente, hoje, em países como Portugal, grande inspiração para a nova proposta. “Estive visitando várias quintas portuguesas, que recebem visitantes do mundo inteiro em busca de um turismo mais cultural. As diárias ficam acima da média cobrada em hotel executivo, mas o serviço é bastante personalizado”, explica Dantas.

Para oferecer esse serviço, cada engenho deve ter uma média de 25 apartamentos, além de oferecer atividades como pescaria, passeios ecológicos e banhos em fontes naturais. A diária sairia em torno de U$S 80 (apartamento duplo).

Treze engenhos estão sendo analisados para compor o circuito (ver arte). O Gaipó (matéria vinculada) é um dos primeiros a serem vendidos como produto, por conta de seu estado de conservação. O Cipó Branco, em Aliança, já possui algum suporte turístico, como restaurante, pousada, piscina e pesque-pague. O Iguape, em Vicência, recebe periodicamente visitas de estudantes, o que lhe dá a chance de se formar como atração pedagógica.

De acordo com o presidente da AD-Diper, inicialmente, apenas os engenhos incluídos na Zona da Mata estão sendo visados para a composição do circuito, em vista da facilidade de montar a infra-estrutura necessária para o serviço, como a construção de novas estradas.

GOLFE NO TAPACURÁ – Uma das boas idéias desse projeto é ‘tematizar’ alguns engenhos. O Tapacurá, de propriedade de uma tradicional família portuguesa, pode tornar-se parte de um circuito de golfe, junto a mais dois engenhos. Segundo Kléber Dantas, o mais importante, agora, é captar recursos da iniciativa privada.

Hoje, exite a possibilidade de um dono de engenho arrendar o imóvel, vendê-lo ou mesmo receber recursos a fundo perdido para reformá-lo, com o compromisso de lhe imprimir uso social – no caso, turístico. “Já se investiu demais no Litoral, é hora de diferenciar serviços. Temos uma longa história nestes engenhos de cana-de-açúcar, um ciclo que rendeu a Pernambuco muito dinheiro e poder”, continua Dantas.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.08.2000
Quinta-feira