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PROJETO II
Confira a primeira atração do programa

O primeiro local a receber um tratamento diferenciado (para ser usado como ‘garoto-propaganda’ do projeto) é o Engenho Gaipió, em Ipojuca, construção concluída em 1863, que está em bom estado de conservação e conta com mobiliário de época.

A apenas 50 quilômetros do Recife, o engenho apresenta boas razões para ser a ponta de lança do roteiro: as estradas que levam até ele estão em bom estado de conservação e o lugar possui bom conjunto arquitetônico, formado por casa grande, moita, senzala, armazém e capela. Em frente ao local aconteceu, segundo documentos históricos, uma batalha relacionada à Revolução Praieira.

Baseando-se numa certidão de batismo arquivada na Matriz de São Miguel de Ipojuca, onde encontra-se referência ao Engenho Gaipió, acredita-se que as atividades açucareiras no local tiveram início na segunda metade do século 18. O livro Engenho e Arquitetura, do professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Geraldo Gomes, cita o Gaipió, comparando-o aos solares neoclássicos de Moreno (também incluído no projeto) e Airizes, no Rio de Janeiro.

A reforma pela qual passará a casa grande inclui a restauração da fachada azulejada, instalação de tijoleira no piso cimentado da cozinha (presente no projeto original) e cultivo de plantas ornamentais típicas, assim como pintura das paredes, portas e grades da varanda.

No piso térreo, funcionarão os quartos, salão de jogos e leitura. Já a capela, que, segundo o projeto, será usada para abrigar uma loja de artesanato e um restaurante, será recuperada com pinturas de portas e janelas e revitalização do adro. A senzala será adaptada para receber alojamentos, depósitos e banheiros.

A moita e o armazém também devem passar pelas mãos dos restauradores. Nestes locais, estavam a ‘alma’ do engenho. Ali, funcionavam a roda d’água, a moenda e a casa de bagaço das fornalhas, para cozimento do caldo. Os tachos para coser e os tonéis de concentração de mel ficavam num prédio ligado à fábrica, assim como a casa para purgar o açúcar (para separá-lo do mel). Só depois desse processo é que ele era levado ao armazém, para, depois, ser comercializado.

O prédio da roda d’água, destruído, será recontruído junto aos da barragem e do aqueduto. Um alambique para a fabricação artesanal de cachaça, rapadura e mel também está previsto. No antigo armazém funcionarão bar, lanchonete e recepção. (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 10.08.2000
Quinta-feira