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DESPESAS
Depois das chuvas, os prejuízos

O produtor de eventos Ronaldo Alves estourou em R$ 420 o seu orçamento de julho com o conserto da direção hidráulica, compra de dois pneus novos e duas jantes para o Gol. O causador dos estragos foi um buraco encoberto pelas águas da chuva, na Avenida Caxangá, uma das principais vias do Recife. O temporal que caiu sobre o Estado, no final de julho, também trouxe danos para o taxista Robervaldo José de Menezes. “Gastei R$ 55 no reparo do radiador e R$ 30 para fazer a limpeza interna do automóvel, que ficou cheio d’água”, lembra ele.
</DC>Depois de gastar com os serviços emergenciais, muitos motoristas terão que prevenir o bolso para deixar o carro em ordem, já que a garantia de fábrica não cobre os prejuízos causados pelas chuvas. “Os carros que tiveram o nível da água acima da roda, provavelmente apresentarão problemas posteriores”, alerta o gestor do centro automotivo MaxTroc, Lula Vasconcelo.

Um deles é a embreagem. A água acaba comprometendo o funcionamento de todo o conjunto. A suspensão e os amortecedores também sofrem com a proliferação de buracos. invés de “O amortecedor danificado, ao amortecer, acaba prejudicando o conjunto de suspensão, a caixa de direção, terminais etc”, comenta Vasconcelos.

No inverno, o sistema de freios pode sofrer um desgaste prematuro devido à umidade e às impurezas que se acumulam na roda do carro, onde estão localizadas as pastilhas. “Se a pastilha estiver em boas condições, uma limpeza é o suficiente. Deve-se remover a lama presa na lona de freio e limpar o tambor com álcool”, ensina o gerente da Freio Teste, Fernando Cunha. Ao rodar com o carro nessas condições, corre-se o risco de provocar vazamento do cilindro de roda. A limpeza dos freios custa em média R$ 30.

DESTEMPERO ]– O aquecimento e desaquecimento do escape ao passar por locais alagados acaba destemperando a chapa que protege o miolo do sistema e a solda, diminuindo a vida útil do escapamento. “Num inverno como este o escape tem a sua durabilidade reduzida em 30%”, complementa o dono do Serv Escape, Antônio dos Reis Fernandes.

O motor é a maior vítima das águas das chuvas. A água que penetra por baixo do carro acaba causando o que se chama de calço hidráulico. “Esse problema é mais freqüente porque o motor dos carros atuais fica na parte da frente. Um recurso utilizado na travessia de riachos e estradas onde o fluxo de veículos é pequeno, é atravessar o alagamento de ré. Dessa forma, a água é jogada para os lados, não permitindo que seja aspirada para dentro do motor. Mas essa dica não é aconselhável para a cidade”, diz o gerente de assistência técnica da Italiana, Carlos Alberto Monteiro. Um problema que pode aparecer bem depois das chuvas é a oxidação da blindagem do rolamento, explica Carlos Alberto. “Nos carros que não possuem rolamento blindado, é aconselhável fazer a lubrificação”, diz.

Se a água penetrou nos faróis, o próprio usuário do veículo pode fazer a secagem, retirando a lente, a lâmpada e usando um secador de cabelo, orienta Carlos Alberto Monteiro. “A infiltração acontece porque os faróis não são herméticos”, explica o gerente de assistência técnica.

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Jornal do Commercio
Recife - 13.08.2000
Domingo