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MEDICINA Câncer mata mais por causa da falta de diagnóstico RIO Apesar de todo o avanço tecnológico da medicina nas últimas décadas, o Brasil se mantém num triste patamar há 20 anos: apenas 30% dos casos de câncer são diagnosticados no início da doença. Quando se trata de câncer nos pulmões, o índice de diagnóstico tardio sobe para 85%. Uma das causas para o tratamento atrasado é o atendimento nos hospitais públicos - o paciente pode esperar até cinco meses, passando pelas mãos de vários médicos, até chegar a um especialista. O grande problema é a pobreza da população, que tem dificuldade de acesso ao bom atendimento médico, acredita o presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Roberto Gomes. A classe média já se conscientizou da importância da prevenção. O câncer de pulmão é o que mais mata no Brasil, segundo Gomes, e poderia ser diagnosticado com uma radiografia de tórax anual. Ele é silencioso, não tem lesões aparentes, afirma o médico. Para o cancerologista é inadmissível que os cânceres de mama e de colo de útero sejam os que mais vitimam as mulheres - eles poderiam ser descobertos durante o exame preventivo ginecológico. Um exemplo extremo de quanto a demora no diagnóstico do câncer é nociva está na comparação entre o tamanho médio do tumor de mama encontrado nas italianas (0,9 cm) e nas brasileiras (5,5 cm). No colo de útero, a doença causa lesões pré-malignas que se instalam ali por até cinco anos antes que as células comecem a se multiplicar desordenadamente. Nesse período, médicos poderiam cauterizar as feridas ou até extirpar o colo de útero. |
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