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NOMES Editora lança dicionário de mulheres que marcaram a histórianacional Agência Folha Será lançado até o final deste mês pela editora Jorge Zahar o Dicionário Mulheres do Brasil (organização de Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil e editoria de texto de Ana Arruda Callado). A obra, que foi feita em parceria com a Rede de Desenvolvimento Humano e a Fundação Ford, traz verbetes de 1500 até a atualidade. São reproduzidos, abaixo, três verbetes do volume: ADELINA, A CHARUTEIRA Escrava e abolicionista. Nasceu em São Luís do Maranhão, filha de uma escrava conhecida como Boca da Noite e de um rico senhor. Ela e a mãe recebiam, por parte dos senhores, tratamento diferenciado dos demais escravos. Adelina, que sabia ler e escrever, ao completar 17 anos não viu cumprida a promessa de libertação feita pelo pai. Era adolescente quando seu pai e senhor sofreu um revés financeiro, empobreceu e passou a fabricar charutos. Adelina era a encarregada das vendas: duas vezes ao dia, ia pela cidade entregando tabuleiros de charutos de botequim em botequim e vendendo avulso para os transeuntes. Em sua peregrinação por São Luís, procurava parar sempre no largo do Carmo, onde estudantes do Liceu eram seus fregueses. Aí teve a oportunidade de assistir a numerosos comícios abolicionistas promovidos pelos estudantes nas escadarias da escola. Apaixonou-se pela causa e passou a freqüentar manifestações e passeatas em prol da abolição da escravidão. O ofício de vendedora levou Adelina não só a formar uma vasta rede de relações, mas também a conhecer todos os meandros da cidade. Sua facilidade em circular pelas ruas tornou-se seu maior trunfo na luta contra a escravatura, pois possibilitava que os ativistas do movimento se antecipassem às ações da polícia e articulassem fugas de escravos. DOLORES DURAN - Nasceu no bairro da Saúde, no Rio de Janeiro, no dia 7 de junho de 1930. Filha de Josefa Silva da Rocha e de Armindo José da Rocha, sargento da Marinha, foi registrada como Adiléia Silva da Rocha. Desde pequena, costumava cantar em festinhas nos subúrbios de Irajá e Pilares, onde morou. Aos 10 anos, apresentou-se no programa Calouros em Desfile, comandado por Ary Barroso na Rádio Tupi. Apesar da resistência do apresentador em ouvir composições estrangeiras, a menina cantou Vereda Tropical em português e espanhol, dividindo o primeiro prêmio com o conjunto Nativos da Lua. Pouco depois apresentou-se no programa Escada de Jacó, cuja equipe depois integraria, em shows de bairro, em cinemas e teatros. Aos 12 anos, após a morte do pai, começou a trabalhar em programa infantil de radioteatro na Tupi, Teatro da Tia Chiquinha, ajudando no pequeno orçamento da família. Na mesma época, integrou um grupo de teatro infantil. Sua facilidade para aprender línguas, mesmo sem ter concluído o curso primário, levou-a a participar do concurso À Procura de uma Cantora de Boleros, promovido pela rádio Nacional. Não ganhou, mas continuou freqüentando a rádio e apresentando-se em alguns programas de calouros. Numa dessas apresentações, em 1940, foi convidada para um teste na boate Vogue, freqüentada pela elite carioca, onde então começou a trabalhar com o nome de Dolores Duran. Trabalhou no programa César de Alencar, na rádio Nacional, e cantou nas principais boates do Rio, com um repertório que incluía músicas em francês, espanhol e inglês. Estreou em disco em 1952, gravando dois sambas para o Carnaval do ano seguinte. Em 1954, lançou outras canções, entre elas Canção da Volta, de Antônio Maria e Ismael Neto, e Bom É Querer Bem, de Fernando Lobo. Em 1955, casou-se com o ator de rádio Macedo Neto, uma união que duraria três anos, e fez sua primeira composição, Se É por Falta de Adeus, em parceria com Tom Jobim. Em 1957, fez parceria com Vinícius de Moraes com a letra: Por Causa de Você, que gravaria em 1958. Outras composições se seguiram, como Castigo (1958), A Noite do Meu Bem, Fim de Caso e Solidão (1959). Sua última apresentação foi na boate Little Club, em Copacabana, na noite de 23 de outubro de 1959. No dia seguinte morreu, vítima de problemas cardíacos. A fama de Dolores Duran como compositora só se consolidou após sua morte, com a gravação feita por Lúcio Alves de um disco exclusivamente de músicas suas. ELIS REGINA Nasceu em Porto Alegre (RS), no dia 17 de março de 1945. Aos 11 anos, Elis Regina Carvalho da Costa apresentou-se na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, cantando no programa Clube do Guri, cujo elenco passou a integrar. Foi contratada como cantora pela rádio Gaúcha, em 1959, gravando seu primeiro compacto em 1960. Viajou, então, para o Rio, onde fez apresentações na televisão e gravou o LP Viva a Brotolândia. Transferiu-se definitivamente para a capital do então Estado da Guanabara, em 1964. Em abril de 1965, participou do Primeiro Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Excelsior, cantando Arrastão (Edu Lobo e Vinícius de Moraes), conquistando o primeiro lugar e projetando-se nacionalmente. Seguiram-se muitos outros sucessos, como Canto de Ossanha (Vinícius de Moraes e Baden Powell) e Louvação (Gilberto Gil e Torquato Neto). Em janeiro de 1966, apresentou-se em Lisboa e Luanda, ao lado de Jair Rodrigues e do Zimbo Trio. Em dezembro de 1967, Elis casou-se com Ronaldo Bôscoli, com quem teve um filho. Ao longo desse ano, gravou sucessos como Travessia (Milton Nascimento) e Upa, Neguinho! (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri), música muito aplaudida no Segundo Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical (Midem), realizado em Cannes, em janeiro de 1968, e se apresentou no teatro Olympia, em Paris. Em maio, obteve o primeiro lugar na Primeira Bienal do Samba, interpretando Lapinha (Baden Powell e Paulo César Pinheiro). Retornou à Europa em 1969, apresentando-se novamente em Cannes, além de gravar programas para as televisões francesa, inglesa, holandesa, suíça, belga e sueca. Em abril de 1970, grávida de sete meses, fez temporada no Canecão, onde cantou músicas de Caetano Veloso e Gilberto Gil, feitas especialmente para ela e enviadas de Londres, onde os dois compositores encontravam-se exilados. Em 1971, estreou dois programas na TV Globo, além de gravar o disco Top Star Festival, produzido pela ONU em solidariedade aos refugiados do mundo, sendo a única brasileira a participar. Em comemoração dos seus 15 anos de carreira, lançou, em 1974, o disco Elis e Tom, gravado em Los Angeles, do qual participou o tecladista César Camargo Mariano, com quem Elis passaria a viver e teria três filhos. Estreou em Porto Alegre, em dezembro de 1977, o espetáculo Transversal do Tempo, que seria apresentado em Roma, Milão e Barcelona em princípios de 1978, e depois faria turnê pelo Brasil. Elis recusou convite para apresentá-lo em Buenos Aires, alegando que, enquanto seu disco Falso Brilhante, censurado por causa da música Gracias a la Vida, de Violeta Parra, estivesse proibido na Argentina, não se apresentaria no país. Em maio de 1979, participou, ao lado de outros artistas, do Show de Maio, cuja renda foi revertida para o fundo de greve dos metalúrgicos de São Paulo. No mesmo mês, foi lançado compacto com O Bêbado e o Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), que foi chamado de hino pela anistia, pois a campanha pela volta dos exilados ganhava força no Brasil. Ainda em 1979, Elis apresentou-se em Bruxelas, participou do Festival de Jazz de Montreux e do Festival de Jazz de Tóquio, além de fazer temporadas pelo Brasil. Em janeiro de 1980, estreou no Rio de Janeiro o show Saudades do Brasil, a respeito do qual declarou: Não se trata de saudade de alguma coisa que acabou ou pessoa que morreu... Saudade do que está aí vivo, solto, e nunca deixou de existir. Se não temos acesso a isso, é por falta de uma batalha maior. Em 1981, percorreu palcos de São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro com o show Trem Azul. Em dezembro faria sua última apresentação na televisão, num especial de fim de ano da TV Record. Elis morreu em São Paulo, no dia 19 de janeiro de 1982, aos 37 anos, em decorrência de overdose. |
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