
RODIN
Recife
verá a obra do maior escultor de todos os tempospor Flávia de Gusmão
Difícil vai ser encontrar
quem não se emocione diante das imagens tridimensionais
que se tornaram ícones da arte moderna. Mesmo que nunca
colocou os pés numa galeria de arte, ou não teve a boa
sorte de visitá-las no seu lar o antigo Hôtel
Biron e hoje Museu Rodin, na Rue de Varenne, em Paris
vai saber, de pronto, batizar algumas das mais
conhecidas esculturas que estarão expostas, de 21 de
outubro a 22 de novembro, no Museu de Arte Moderna
Alosío Magãlhães (Mamam). O Pensador e O Beijo, por
exemplo, estão tão profundamente enraizadas no
inconsciente coletivo quanto o To be or not do be, de
Shakespeare, mesmo para quem nunca leu uma linha sequer
do autor inglês. A força da obra de Rodin é tão
indiscutível quanto sua habilidade em produzir obras
que, desde a sua época, causavam espanto.
A Idade do Bronze, por
exemplo, sofreu uma acusação tão grave quando foi
exibida ao público, no Círculo Artístico de Bruxelas,
em 1877, que Rodin teve que se empenhar ao máximo para
desmerecê-la, sob pena de ver sua reputação de
escultor irremediavelmente comprometida.
Tendo o jovem soldado
Augusto Neyt como modelo, o escultor foi acusado de
sobre-moldagem, ou seja, moldar diretamente as partes de
um corpo sobre um modelo vivo e utilizá-las em um
estátua. Uma mera cópia. Não era.
A vida e a obra de
François-Auguste-René Rodin, parisiense, nascido em 12
de novembro de 1840, encerram um paradoxo em si. Ao mesmo
tempo em que ele pode ser considerado o pai da
escultura moderna ao se empenhar em deixar para
trás todos os ranços da ortodoxia acadêmica, ele foi
também um dos artistas de sua época que mais se
beneficiou do establishment. Teve fama e fortuna em vida,
bancadas principalmente pelos patrocínios e encomendas
do Governo francês.
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