
RODIN III
Paixão e
loucura em Camille ClaudelRodin. O grito desesperado saiu
da bela garganta de Isabelle Adjani, no papel da
personagem-título do filme Camille Claudel, do diretor
Bruno Nuytten. Foi o primeiro contato na tela larga, para
uma audiência ainda mais larga, com o drama que começou
no atelier no mestre Rodin e se estendeu para sua cama,
com conseqüências desastrosas para, pelo menos, um dos
envolvidos: a própria Camille Claudel.
Camille era uma beldade
que, desde cedo, resolveu ser escultora. Seu irmão Paul
Claudel, na época já famoso como escritor, a descreve
como uma inteligência soberba sobre magníficos
olhos daquele azul tão raro que só é encontrado em
capas de romances.
Discípula de Rodin, e
depois sua amante durante 10 anos, Claudel se debateu
durante toda sua vida (1864-1943) entre o desejo de
imprimir uma identidade própria ao seu trabalho e se
tornar a senhora Rodin. O primeiro ela alcançaria, o
segundo a levaria à loucura.
Na época em que
começaram o affair, Rodin estava em pleno processo de
criação de dois de seus trabalhos mais importantes: As
Portas do Inferno e Os Burgueses de Calais, suficientes
para influenciar uma alma menos refratária que a de
Camille. Mas, a verdade é que ambos exerceram
influência mútua. Um bom exemplo dessa ligação de
mão dupla é a escultura Jeune Fille à la Gerbe, de
Claudel, que foi precursora da Galatea, de Rodin. Por
outro lado, As Três Faunas, de Rodin foi inspiração
para La Vague, de Claudel.
Um dos mais pungentes
trabalhos da artista e estamos falando de uma obra
onde a dor é tão palpável quanto o bronze em que ela
trabalha , LAge Mûr,é um cruel depoimento
do seu abandono: Rodin deixa Camille para voltar a sua
outra amante, Rose Beuret, com quem acabaria se casando.
Camille jaz prostrada a seus pés, implorando.
Ironicamente, é o Museu
Rodin que detém 15 das mais representativas peças da
obra de Camille Claudel e assim é por desejo expresso do
seu ex-amante e, supostamente, seu algoz, Auguste Rodin.
Em carta para um amigo ele expressa sua vontade: A
idéia de incluir algumas escultura de Mademoiselle C me
agradaria muito...Poderia haver salas para mim e para ela.
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