
REUNIÃO
Autores
modernos fundamentais são compilados pelo poeta Ivan
Junqueirapor
Schneider Carpeggiani
Ivan Junqueira esteve no
Recife, durante o II Congresso Brasileiro de Escritores
em Pernambuco, para realizar o lançamento da sua mais
recente obra, Baudelaire, Eliot e Dylan Thomas - Três
Visões da Modernidade (Editora Record, R$ 25). O livro
consiste em uma compilação, revista e ampliada, dos
estudos introdutórios presentes nas traduções desses
três poetas, que Junqueira realizou em épocas
distintas, e todas elas consideradas definitivas.
Segundo o poeta, a idéia
de reunir em um só livro seu trabalho sobre esses
escritores surgiu do fato de eles terem sido
responsáveis por formular aquilo que se convencionou
chamar de literatura contemporânea.
Baudelaire com Flores do Mal não só definiu a
modernidade, como também provou que tudo pode ser dito
em um poema. Sua obra-prima foi marcada pela estética do
feio (muito influenciada por Poe), dos
marginais que habitavam Paris naqueles meados do século
XIX.
No caso de T.S. Eliot,
convencionou-se dizer que há uma poesia antes e depois
da publicação de A Terra Devastada, em 22 (talvez
o mais terrível e decisivo poema publicado no século XX,
escreveu Junqueira). Já o poeta galês Dylan Thomas
o menos divulgado no Brasil dos três foi
antes um bardo, um alcoólatra de vida errante, do que um
intelectual. Seu trabalho revitalizou os processos
poéticos feitos por Eliot e Baudelaire, já no limiar de
um período que hoje conhecemos como o da
pós-modernidade.
Ivan declarou que realizou
o trabalho de tradução de Eliot, Baudelaire e Thomas
não por razões financeiras, mas sim pela admiração
que nutre por esses escritores. Nunca faria
qualquer tradução por dinheiro. O ofício de tradutor
no Brasil é pouco remunerado. Quando decidi fazer esses
trabalhos, disse às editoras que me dessem o tempo
necessário para realizar uma obra bem feita. No caso de
Baudelaire, por exemplo, levei mais de dois anos para
finalizar Flores do Mal, declarou.
Com a convicção de que
em qualquer tradução o leitor lê antes o tradutor e
só depois o autor de fato, Junqueira afirma que, para
traduzir um poeta, nada melhor do que outro. Acho
que um poeta entende com mais clareza os mecanismos da
poesia do que alguém que não tenha contato direto com
ela. No meu caso, posso dizer que essa aproximação foi
fundamental.
Em relação às mudanças
ocorridas entre às primeiras publicações dos textos do
atual livro até às atuais, Ivan afirmou que elas trazem
bem mais informações ao leitor, principalmente
bibliográficas. Em Dylan Thomas, por exemplo, eu
trago para os brasileiros a maior bibliografia publicada
no Brasil em torno dele, com mais de 60 títulos de
referência.
Em julho deste ano,
Junqueira tomou posse na Academia Brasileira de Letras,
assumindo a cadeira de João Cabral. Durante a cerimônia
de posse, o poeta afirmou que ficou preocupado com o
discurso que iria fazer. Não tinha como ser um
discurso breve por causa da opulência dessa cadeira.
Nenhum dos nomes podia ser atropelado. Eu não queria
repetir Álvaro Lins, que falou sem parar durante três
horas. Isso não pode mais acontecer, porque ninguém
iria prestar atenção no que eu falaria.
Após a publicação desse
livro, Junqueira declarou que não tem nem previsão nem
pressa para lançar um outro trabalho de poesia ou mesmo
de se aventurar em traduzir qualquer outro autor, pois
afirma que seu trabalho de tradução está encerrado.
É melhor que seja assim, concluiu.
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