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URBANISMO III
Construção foi demolida nos anos 40

Quem hoje passa pela Avenida Guararapes, no centro do Recife, não tem a menor idéia de onde ficava a antiga Igreja de Nossa Senhora do Paraíso, da Santa Casa de Misericórdia. Localizada no antigo Pátio do Paraíso, a construção remonta ao final do século 17, mas teve a fachada principal redesenhada pelo professor Rodolfo Lima, a pedido da Igreja, como relata o arquiteto José Luiz Mota Menezes.

Quando foi demolido na década de 40 deste século, para a abertura da Avenida Guararapes (Rua 10 de Novembro na época) e o alargamento da Rua das Florentinas (apagada do mapa em reformas urbanas), o templo apresentava fachada no estilo neogótico. Ao lado da igreja funcionava o Hospital do Paraíso, de caridade. “Nessa Casa da Misericórdia havia uma roda de enjeitados e muitas crianças abandonadas foram educadas pela instituição”, diz José Luiz.

Nos Anais Pernambucanos, o historiador Pereira da Costa informa que em 1871 a Prefeitura impôs uma nova denominação para o Pátio do Paraíso: Praça 28 de Setembro, numa homenagem à Lei do Ventre Livre, decretada naquele ano e que tirava da escravidão os filhos das escravas nascidos a partir daquele data. Depois, a Prefeitura modificou novamente o nome do logradouro para Praça do Barão de Lucena. Em seguida, a municipalidade põe abaixo todo o conjunto de casas que formavam o pátio.

“A gente que construía o ‘Novo Recife’ pouca atenção daria a edifícios velhos, ruas estreitas e mal cheirosas e antigos edifícios religiosos”, lamenta José Luiz Menezes. A Igreja de Nossa Senhora do Paraíso ficaria nas imediações do atual Edifício Santo Albino, na esquina das avenidas Guararapes e Dantas Barreto. Do antigo templo, restam apenas fotografias que mostram a construção ainda de pé e a seqüência da demolição no acervo iconográfico do Museu da Cidade do Recife.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo