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URBANISMO III
No século 17, prédio foi principal local de culto calvinista no Recife

A Igreja Matriz do Corpo Santo, de acordo com o arquiteto José Luiz Mota Menezes, surgiu com a povoação do Recife e era dedicada a São Frei Pedro Gonçalves ou São Telmo. “Nos mapas mais antigos da cidade ela aparece ainda como uma ermida, dominando o centro da povoação”, diz.

A primeira representação gráfica confirmada é de 1609 e uma estampa de 1631 mostra a igreja voltada para o mar com um pequeno pátio na frente da fachada, no atual Bairro do Recife.

De 1630 a 1654, período da dominação holandesa em Pernambuco, a Igreja do Corpo Santo foi transformada no principal templo calvinista do Recife e da Cidade Maurícia (hoje, Santo Antônio e São José).

Os flamengos deixaram suas marcas no imóvel, construindo uma torre semelhante à das igrejas holandesas. No século 18, essa torre era o único exemplar de arquitetura gótica do Norte da Europa no Recife.

Sobre a torre, o historiador José Antônio Gonsalves de Mello, um dos maiores pesquisadores da dominação holandesa, escreveu: “o sino indicava as horas a todo o bairro do Recife e às 6h da tarde marcava o fim da jornada de trabalho”.

No século 18, a igreja foi totalmente ampliada e ganhou uma fachada em pedra lioz no estilo neoclássico, considerada uma das mais belas do Recife. Em outubro de 1913, começou a ser demolida, sem gerar grandes protestos, para permitir a abertura da Avenida Marquês de Olinda.

O templo, que poderia ter sido poupado, ficaria entre a Marquês de Olinda e a Avenida Rio Branco, na região onde hoje existe um prédio todo coberto por combogó.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo