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PORTO DO RECIFE
Terminal sem os transatlânticos

por Angela Fernanda Belfort

Com a inauguração prevista para 13 de janeiro de 2001, o terminal de passageiros marítimo que será instalado no Porto do Recife já começa a gerar polêmica. Técnicos da própria estatal, representantes das operadoras de cruzeiros e o presidente da Empresa dos Práticos de Pernambuco, Luiz Antonio Correia de Araújo, afirmam que o empreendimento não tem condições de receber grandes navios.

O local recebeu investimentos da ordem de R$ 1,5 milhão, financiados pelo Programa de Desenvolvimento do Turismo para o Nordeste (Prodetur) e continuará com a capacidade de receber navios pequenos e médios similar a que já existe hoje.

“O Terminal só poderá receber navios de, no máximo, 160 metros de comprimento e que necessitem de uma profundidade de 7,5 metros”, comentou Correia de Araújo. Um exemplo de navio médio que pode atracar no local é o Funchal.
Os navios de grande porte, que fazem cruzeiros marítimos de passageiros, não poderão atracar no local por vários motivos. O cais do Terminal tem uma profundidade de cerca de oito metros, quando somente os transatlânticos da linha Princess precisam de um calado de 9,5 metros.

Outro problema que dificultará a chegada dos grandes navios ao Terminal é a falta de um local conveniente para que as embarcações façam as suas manobras. Uma embarcação que tem 240 metros de comprimento, como os transatlânticos da linha Princess, não conseguirão manobrar na área que deveria ser destinada para isso.

No projeto do Terminal, a área que os navios utilizariam para fazer as manobras ficaria localizada na parte do cais que fica em frente à antiga ponte giratória. Para criar a profundidade necessária a essa operação (manobras dos navios), teria que ser feita uma dragagem no lugar. A dragagem não foi feita. A Administração do Porto do Recife informou que tanto a dragagem do cais do terminal como da área de manobras é de responsabilidade da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR), que é responsável pelo empreendimento.

A secretaria municipal de Planejamento, Celecina Pontual, argumentou que a dragagem da área de manobras deverá ser feita depois pela PCR ou Estado para que o terminal opere em sua plenitude. Não há previsão de quando a obra será realizada.

Já o secretário municipal de Cultura, Esportes e Turismo, Sérgio Saldanha, afirmou que há necessidade da dragagem na bacia de evolução (área de manobras), mas que o Terminal poderá receber grandes navios, desde que os mesmos sejam puxados por rebocadores.

O navio que é puxado por rebocador entra e sai na mesma posição e não precisa fazer manobras (giros). “O reboque significa um custo a mais para o operador da embarcação”, comentou Correia de Araújo.

Ele também contou que a atual profundidade do cais do Terminal de Passageiros fará com que os navios fiquem dependentes da maré alta para poder chegar ou sair do local. “Geralmente, navios de passageiros querem entrar e sair nos horários que sejam melhores para a tripulação”, comentou.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo