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CULTURA
Camarão ainda é pouco explorado

Pernambuco ainda não despertou para uma das atividades mais promissoras atualmente no Brasil e no mundo: a produção de camarão. Embora seja o quarto maior produtor do País, tenha faixa litorânea e boas condições climáticas, o Estado dispõe de apenas uma fazenda de engorda do animal (em Goiana) e cativeiros artesanais montados em comunidades carentes do Grande Recife. A produção não atende nem ao consumo interno.

Além de ser bastante rentável para o produtor, a carcinicultura necessita de grande quantidade de mão-de-obra, chegando a empregar uma pessoa por hectare. O número é semelhante ao do cultivo de tubérculos, como macaxeira, inhame e batata doce.

Resultado: boa parte do que é consumido em Pernambuco – seja em restaurantes, supermercados, feiras ou praias – é importado de outros Estados que têm maior empenho em relação à atividade, como a Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte. E o problema se estende aos demais frutos do mar.

Para se ter uma idéia, o consumo de pescado de Pernambuco em 1998 foi de aproximadamente 12 mil toneladas, enquanto que a produção não passou de 5 mil toneladas. Além de não ser suficiente, boa parte da produção é exportada para outros Estados do Nordeste, Sul e Sudeste e até exterior.

NECESSIDADES – O ex-diretor da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) e gerente de serviços técnicos da Purina do Brasil (fabricante de rações para crustáceos), Geraldo Borba, diz que o que falta para a expansão de fazendas de engorda é o conhecimento do real potencial de Pernambuco.

“É necessário que o Governo do Estado e os orgãos federais relacionados ao meio ambiente façam um zoneamento da faixa litorânea e avaliem que áreas têm que ser destinadas à preservação. Isso para que a iniciativa privada possa investir na produção de camarão. É o que fez recentemente a Bahia”, diz Borba. Ele acrescenta que, embora Pernambuco tenha uma pequena faixa litorânea em relação a outros Estados, seu potencial poderia ser melhor aproveitado se houvessem mais fazendas de engorda.

Mas a situação pode melhorar. Está confirmado para este ano o início da operação de uma segunda fazenda pela Netuno – beneficiadora pernambucana de crustáceos e frutos do mar. E, em 2001, devem ser abertas outras três.

O diretor industrial da Netuno, Hugo Campos, adianta que a nova fazenda, localizada em Itapissuma, terá 300 hectares e uma capacidade de produção de 125 toneladas mensais. Mas, inicialmente, deverá produzir apenas 20 toneladas por mês.

PÓS-LARVA – Um ponto em favor da carcinicultura no Estado é o fato de possuir dois laboratórios de produção de pós-larvas de camarão – que são os embriões dos animais. Ainda assim, a produção não é suficiente. A fazenda de engorda de Goiana, a Atlantis, é considerada a melhor do País e uma das 10 maiores do mundo em volume e qualidade.

São 150 toneladas por mês. Desse total, 90% é exportado para países da Europa e para os Estados Unidos. O restante é vendido exclusivamente para a rede de supermercados Carrefour. Isso significa que o que é consumido no Estado depende da importação ou da produção obtida nos cativeiros artesanais de comunidades carentes da Região Metropolitana do Recife.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo