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CULTURA II Cultivo garante sustento de famílias carentes A produção de camarão em cativeiro artesanal é responsável pelo sustento de muitas famílias carentes do Grande Recife. São pescadores que compram pós-larvas, dedicam entre 90 e 120 dias (período do ciclo) à engorda do animal e, depois, vendem o crustáceo a empresas beneficiadoras ou restaurantes. Mas essas pessoas estão se sentindo prejudicadas nos últimos quatro meses porque não têm mais como comprar as pós-larvas diretamente dos dois laboratórios pernambucanos. O Tecmares, localizado em Ipojuca, estava desativado e terá sua primeira produção de pós-larvas neste mês. O Aqualíder, também em Ipojuca, vende 30% da sua produção para a fazenda Atlantis, em Goiana, pertencente aos mesmos donos. O restante é comercializado com a Netuno, empresa pernambucana beneficiadora de crustáceos e frutos do mar. A Netuno, por sua vez, vende as pós-larvas a pequenos produtores de camarão das comunidades de Pontezinha, no Cabo, Ilha de Deus, na Imbiribeira, Canal da Cruz, em Igarassu, Carangueijo, na Ilha do Retiro, Beira Mar, no Pina e São Miguel, em Afogados. Depois da engorda do camarão, os pescadores são obrigados a vender a produção de volta à empresa. Não é muita vantagem pra gente. Eles compram o quilo do camarão por R$ 6,20 ou R$ 7. Antes, a gente vendia direto aos consumidores e conseguia uns R$ 8 ou R$ 10 pelo quilo, reclama José Alves da Silva, da comunidade Ilha de Deus, dizendo que não tem outra opção senão a de comprar à Netuno. Mas ele lembra que, com a nova situação, não há mais problema de vendas no fiado, pois o pagamento da empresa é garantido. Os preços das pós-larva e da ração utilizada na engorda são abatidos na hora de vender o camarão. O diretor industrial da Netuno, Hugo Campos, diz que a empresa trabalha com um total de 110 produtores no Nordeste, sendo 48 em Pernambuco. Ele diz que, mesmo após a inauguração da fazenda da empresa, em Itapissuma, prevista para dezembro, a Netuno não vai deixar de comprar as cerca de 130 toneladas mensais de camarão. Ele diz ainda que o preço do quilo caiu de R$ 10 para R$ 7 devido aos preços do mercado, que tiveram alterações recentemente. |
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