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ENERGIA
Caçada aos “macacos” favorece a Celpe

por Heliane Rosenthal

A guerra contra as ligações clandestinas de energia (conhecidas como “macaco”) começa a render frutos para a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe). Desde fevereiro – quando foi privatizada – até agora, a empresa conseguiu reduzir o seu percentual de perdas de 20,87% para 19,82%. A redução que, aparentemente é pequena, representa um acréscimo de R$ 9 milhões ao faturamento anual da distribuidora.

Esse interesse na recuperação de perdas é uma das bandeiras dos novos controladores da Celpe, liderados pelo grupo espanhol Iberdrola. O percentual representa o total de energia que a distribuidora compra da Chesf, mas que não consegue contabilizar como venda. Normalmente, o setor calcula que dez pontos percentuais representam perdas técnicas provocadas pelo próprio sistema de transmissão. O outros dez pontos são conseqüência das fraudes.

A batalha contra os “macacos” tem dois vértices: um deles é a campanha publicitária, lançada há cerca de dois meses, e o outro é o aumento no número de fiscalizações. “Além dos R$ 9 milhões a mais no nosso faturamento, essa recuperação também significa um acréscimo de R$ 1,5 milhão no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhido anualmente ao cofres do Estado”, comenta o vice-presidente da Celpe, Paulo Cezar Tavares. Todo mês, a Celpe paga cerca de R$ 10 milhões de ICMS.

O vice-presidente conta que, atualmente, o número de inspeções por mês chega a 10 mil. “Nos últimos dez meses, houve mais fiscalizações do que nos últimos dez anos. E ainda pretendemos dobrar esse montante”, explica. O trabalho conta com a ajuda da Secretaria de Defesa Social.

Essa batalha representou o fim de cerca de 2,5 mil macacos, entre “micos e gorilas” como afirmou Tavares. Entre os consumidores que foram pegos cometendo fraudes estão motéis, padarias, postos de gasolina, pequenas indústrias e consumidores residenciais da classe média alta.

A legislação do setor manda que, nesses casos, seja aplicada uma multa de 30% do valor médio a ser pago pelo consumo real, acrescido do equivalente a 24 contas mensais. Esse valor poderá ser parcelado.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo