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JAPÃO OS REIS DA VELHA ECONOMIA por
Maria Luiza Borges Tóquio Eles podem ser considerados os reis da velha economia. Mas quando o assunto é informação tecnológica e Nova Economia, os japoneses estão ficando para trás não apenas dos Estados Unidos, mas até de vizinhos e tradicionais rivais, como a Coréia. Para quem olha de fora, a imagem de país-sede da tecnologia ainda é muito forte, mas os próprios analistas econômicos nipônicos são unânimes em afirmar: após uma crise que já dura 10 anos, a economia japonesa precisa de uma renovação urgente, ou será engolida dentro de poucos anos. Do ponto de vista da informação tecnológica, o Japão está cinco anos atrás dos Estados Unidos. O nível de penetração da Internet na população japonesa é inferior ao da Coréia e de muitos países europeus, comenta Masariko Ishizuka, do Centro de Imprensa Estrangeira, um analista econômico com 30 anos de experiência. De 126 milhões de pessoas, menos de 20 milhões são usuários da Rede Mundial. Os japoneses são grandes fabricantes de eletro-eletrônicos, carros, jogos, telefones e computadores. Mas num mundo cada vez mais virtual, isso não basta. Não são os equipamentos que estão fazendo a roda da economia girar numa velocidade jamais vista, mas sim o conhecimento embutido em softwares. Excesso de capacidade de produção é, na verdade, o maior problema japonês. O parque industrial pode produzir muito mais do que o mercado consegue absorver. Um reflexo disso são as recentes aquisições de grandes companhias japonesas por empresas ocidentais: a montadora Nissan foi comprada pela Renault; a Mazda pela Ford; e a Mitsubishi pela Daimler-Benz. Por outro lado, um sinal de renovação vem do setor de telecomunicações. Dez milhões de celulares são vendidos anualmente no Japão e as companhias estão investindo forte na terceira geração de aparelhos, que deve compatibilizar telefonia móvel com Internet. Nesse aspecto, a NTT DoCoMo tem feito grandes progressos, mas o desafio é criar demanda para desovar a produção em outros países. Há ainda outros sinais alentadores, como o crescimento de 13%, este ano, da encomenda de máquinas para a indústria. Só que, mais uma vez, é a velha e não a nova economia que está crescendo. DÉFICIT Para Ishizuka, nada é mais preocupante do que o nível de endividamento do Governo. Ao longo dos últimos 10 anos, a elevação da taxa de juros gerou uma dívida que já compromete 130% do Produto Interno Bruto (que, em 1998 foi de US$ 3,7 trilhões). O resultado é que o bônus do tesouro japonês não para de cair nos mercados internacionais. A situação do mercado não é animadora. O índice Nikkei, que no final dos anos 80 chegou a 34.059 pontos, hoje gira na casa dos 17.000, tendo alcançado seu nível mais baixo da década em 1998 (13.842). Ishizuka diz que uma das saídas para superar o grande déficit é privatizar o sistema postal, onde está depositada boa parte da poupança japonesa (cerca de US$ 12 bilhões). Sem tradição em realizar investimentos em papéis, como ocorre nos EUA, o povo japonês prefere deixar o dinheiro nos bancos, mesmo que isso signifique juros míseros de pouco mais de 1% ao ano. Para o professor de Economia Toshihiro Kinoshita, da Universidade de Waseda, a saída para a longa crise estaria na desregulamentação da economia e na superação do excesso de burocracia por parte dos órgãos governamentais. Uma longa tradição de estabilidade no emprego gerou monstros públicos e também privados. Pelo sistema japonês, quanto mais velho você fica, mais você ganha. Dessa forma, o funcionário não é estimulado a obter promoções por mérito. Tudo que ele precisa fazer é envelhecer. E para isso, convenhamos, não é preciso muito esforço. O resultado, explica Kinoshita, é que quando a crise explodiu, muitas empresas demitiram seus funcionários mais antigos, causando um problema sócio-econômico, que é visível no meio da rua. Tóquio, a capital japonesa, está cheia de sem-teto nas suas praças. São pessoas que vivem à margem da sociedade e se mostram envergonhados com a situação. A maioria é idosa, não pede esmola, dorme, acorda e cozinha sua comida em volta dos bancos das praças. Moram em tendas de plástico sob as árvores e ocupam o tempo cuidando dos jardins das praças. Para Masariko Ishizuka, o problema dos sem-teto é mais social que econômico. Muitos têm vergonha de ter perdido o emprego. Embora não estejam desassistidos, preferem deixar s[TEXTO]uas casas e viver na rua, diz. (*) Viajou a convite do Governo do Japão |
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