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JAPÃO III Japão e Brasil recuperam negócios Se o Japão teve sua Década Perdida nos anos 90, os anos 80 foram a década perdida brasileira. Assim, ao longo dos últimos 20 anos, o intercâmbio econômico entre os dois países só fez diminuir. Agora, ambos parecem querer fazer uma corrida de recuperação. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e seu correlato japonês, a Keidanren, ensaiam os primeiros passos da reaproximação. Um marco será a realização, mês que vem, de um encontro das duas instituições e de empresários dos dois países (o segundo do tipo), que ocorrerá em São Paulo. Várias empresas japonesas perderam muito dinheiro no Brasil na década de 80. E também no ano passado, com a desvalorização do real, comenta o diretor do birô de Cooperação Internacional da Keidanren, Takashi Kudo. Ele não revela nomes, mas admite que o sistema financeiro foi um dos grandes prejudicados. O fato é que, se os japoneses eram responsáveis, entre 1951 e 1980, por 7,97% dos investimentos externos diretos no Brasil, esse percentual caiu para 1,75% entre 1994 e 1998. Em números absolutos, em 1999, o Japão investiu US$ 1,2 bilhão aqui, menos da metade do que investiu na Indonésia (US$ 2,5 bilhões ) e 2/3 do que foi lançado em Cingapura (US$ 1,8 bilhão). SINAIS POSITIVOS No entanto, o que impressiona a organização japonesa é a velocidade com o que Brasil parece ter-se recuperado. Os sinais são muito positivos, estamos otimistas com as possibilidade de reestabelecer negócios com o Brasil, pois o país é estratégico no mercado latino-americano, diz. A Keidanren publicou, em julho deste ano, um relatório de recomendação do Brasil, onde relata o recuo nos investimentos e dá um voto de confiança ao afirmar que o País é lucrativo e importante para o Japão. Entre as áreas prioritárias, o relatório recomenda atenção para o processo de privatização dos setores de energia, da telefonia de longa distância e celular, além de infra-estrutura, petróleo e gás natural. Outra questão-chave: incrementar a exportação de eletro-eletrônicos, para que sejam distribuídos pelo Mercosul a partir do Brasil. Por outro lado, sugere a importação de alimentos (soja, café, frangos e suco de laranja). O Brasil pode se configurar no quarto destino dos escritórios das companhias japonesas, depois da Ásia, Estados Unidos e Europa, diz Takashi Kudo. Mas a ampliação desse intercâmbio depende de certas condições. O sistema tributário brasileiro é complexo e incompreensível, diz Kudo. Para ele, só uma maior transparência fiscal e a redução do tão famoso Custo Brasil poderia permitir um aumento substancial do investimento japonês. Assim, o futuro dessa parceria, ainda em gestação, está nas mãos do nosso Congresso, onde a Reforma Tributária nunca esteve tão emperrada. |
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