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RECURSOS HUMANOS
Enfermagem discute novo perfil

O pólo médico de Pernambuco, o segundo do País, vem estimulando a geração de emprego e transformando o perfil do profissional de enfermagem. Hoje, existem cerca de 20 mil auxiliares de enfermagem, 11 mil técnicos e 3,2 mil enfermeiros em Pernambuco. A diferença entre eles é o grau de qualificação. A cada ano, 80 novos enfermeiros entram no mercado de trabalho. Mesmo assim, a expansão do setor é tamanha que falta mão-de-obra. O futuro da profissão será assunto do 52º Congresso Brasileiro de Enfermagem, que acontecerá nos próximos dias 21 e 26, no Centro de Convenções.

De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Enfermagem secção Pernambuco (ABEn-PE), Fátima Abrão, “toda oferta de mão-de-obra é absorvida pelo Pólo Médico. Ainda assim, os enfermeiros contam com 2 a 3 empregos para cobrir a carência de profissionais no setor”. Para se ter uma idéia, o Pólo Médico já oferece mais vagas de trabalho do que a área de turismo.

Em 1999, as empresas do setor de saúde foram responsáveis por 14,5% da arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) em Recife, com um recolhimento de R$ 10,38 milhões. O Imposto responde por 43% da receita própria do município. Entre os maiores responsáveis pela absorção da mão-de-obra estão, ainda, os Programas Saúde da Família (PSF). Com eles, os enfermeiros recebem o dobro da remuneração média da categoria, de R$ 600.

EMPREENDEDORISMO – A ampliação dos serviços na área de saúde também vem se refletindo entre os enfermeiros. O empreendedorismo entre eles já é realidade em Pernambuco e será ainda objeto de discussão do Congresso. Segundo a coordenadora de Enfermagem da Saúde Excelsior, Fátima Freitas, existem pelo menos quatro cooperativas no Estado formadas por esses profissionais. “São grupos assistenciais e de auditoria”, acrescentou.

De acordo com Freitas, o empreendedorismo no setor de enfermagem se desenvolveu mais nos últimos seis anos. “As auditorias começaram dentro das empresas médicas a partir da necessidade do controle de custos e da qualidade dos serviços”, lembra Freitas. Hoje, essa atividade pode ser oferecida pelas cooperativas, tanto para os hospitais quanto para os planos de saúde. “Esses grupos possibilitaram criar novas oportunidades de emprego para os enfermeiros. As cooperativas são também mais atrativas por conta da redução do encargo trabalhista”, considerou.

O perfil do profissional de enfermagem também vem mudando. “Exige-se hoje um enfermeiro mais completo e existem várias especialidades”, avaliou a gerente de enfermagem do Unicordis, Maria do Carmo Martins. Um dos exemplos citados por Martins é a enfermagem do trabalho, especialidade antes restrita aos médicos. “É uma atividade não apenas exercida dentro dos hospitais, mas existem empresas de outros segmentos da economia que contam com sua própria equipe”, diz Martins. O enfermeiro do trabalho realiza tarefas como a de orientação dos equipamentos de proteção individual.

A capacitação é outro quesito essencial nesse mercado cada vez mais competitivo e abrangente. “Os enfermeiros hoje estão se especializando mais, procurando realizar residências e não se limitando apenas às universidades”, constata Martins.

Segundo ela, dentre as especializações, o profissional da área já procura hoje a de administração e gestão hospitalar. “O enfermeiro não está se restringindo à enfermagem assistencial”, observou. (I.A.)

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo