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O pátio inseguro Pequena nota publicada neste jornal, no último dia 9, sob o título O Pátio já não tem o mesmo charme, trouxe algum motivo de frustração aos moradores da cidade. Informa o repórter que após a última revitalização, no ano passado, pela Prefeitura do Recife, aquele que já foi um movimentado pólo de boemia intelectual, nos anos 80, não está atraindo o público esperado, por falta de segurança. Trata-se do Pátio de São Pedro, no bairro de São José, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1938. Recuperado no final da década de sessenta pelo então prefeito Geraldo Magalhães, foi recentemente objeto de nova intervenção restauradora. O grande destaque do pátio é a igreja de São Pedro dos Clérigos do Recife. Mas ela faz parte de um conjunto de construções antigas, tendo a forma de um retângulo, seguindo por ruas laterais também muito atraentes. Nas suas imediações, no mesmo bairro de São José, há outros pátios, de forma variável, em frente de templos católicos: o do Livramento, do Carmo, do Terço, da Penha e de São José do Ribamar. O arquiteto e historiador José Luiz da Mota Menezes, em entrevista a este jornal, falou desses monumentos arquitetônicos de nossa capital. Lembrou que os primeiros pátios em frente das igrejas do Recife foram construídas no período colonial, para que neles se realizassem ofícios religiosos. Mas, veio a secularização desses espaços, com a progressiva separação entre a Igreja e o Estado, e eles começaram a ser utilizados cada vez mais de modo profano. De todos, o de São Pedro é certamente o que mais interesse causa aos visitantes cultos, em virtude da excelência arquitetônica da Igreja de São Pedro dos Clérigos e do seu conjunto de casas, algumas até do século XVII e XVIII. A igreja foi construída lentamente, entre 1728 e 1782. Foi planejada pelo arquiteto Ferreira Jácome, para a Irmandade dos Clérigos, que fora criada em 1700, estando, portanto, comemorando 300 anos. Segundo o historiador Tadeu Rocha, em seu Roteiro do Recife, foi a velha igreja que salvou o pátio de São Pedro das sucessivas devastações urbanísticas, iniciadas em 1850, com a demolição do Arco do Bom Jesus. E Vanildo Bezerra Cavalcanti, em seu livro Recife do Corpo Santo, declara que ele é obra da singular arquitetura colonial brasileira, manancial de trabalhos artísticos, seja na sua estrutura arquitetônica, seja nas suas obras de talha, iconográficas e de pinturas. Em nossos dias, quem vem escrevendo sobre o assunto é o médico Amaury Medeiros, colaborador deste jornal. Entre os logradouros antigos do Recife, o Pátio é um dos mais referidos e louvados. Na década de 80, depois de um período de efervescência no final dos anos sessenta, que se seguiu a uma das suas restaurações, o Pátio parecia haver atingido sua plena vitalidade (entre 83 e 89). Além dos boêmios tradicionais, um grupo de intelectuais começou a freqüentá-lo, chegando a configurar o que foi chamada de Geração do Pátio. Alguns se reuniam diariamente, com um livro de atas, onde eram escritos depoimentos e poemas feitos na hora. Dela faziam parte muitos poetas, entre os quais Alberto da Cunha Melo, Edgard Powell, Iran Gama, Jaci Bezerra, Mário Hélio, Paulo Bandeira Cruz, Tereza Tenório, Vital Corrêa e outros. Mas o Pátio não era só boemia e literatura. Era também muita música, espetáculos de danças populares, venda de cordéis. E tudo isso poderia voltar. Os bares, inclusive um deles com uma livraria, continuam no local, à espera dos visitantes, locais ou de fora. Não se pode sequer dizer que a falta de segurança que estaria afastando a clientela é uma exclusividade daquele local (ou, mais precisamente, dos caminhos que o cercam), porque existe em outros pontos da cidade. O Pátio deve ser considerado como um ponto de diversão noturna no centro da cidade. E deve ser protegido, para que possa ter público bom e constante, única forma de mantê-lo preservado. Todos os centros de
diversão e turismo de uma metrópole representam fonte
de renda para o município e ajudam a melhorar cada vez
mais a imagem da cidade. Nos tempos do Restaurante
do Gregório, pioneiro no cardápio típico no
Pátio, este chegou a ser visitado por personalidades
como Juscelino Kubitscheck, Adhemar de Barros, Antonio
Carlos Magalhães, Sílvio Caldas, Dorival Caymmi, Luiz
Gonzaga e outros. Alguns desses estão mortos, mas o
Pátio deverá estar pronto para receber os sobreviventes
e outras personalidades de hoje. |
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