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Mosaicos ressaltam arte armorial

por Luiza Modesto
ESPECIAL PARA O JC

A beleza plástica do movimento armorial pode ser apreciada até dia 3 na exposição Os Mosaicos Armoriais em exibição na entrada e no foyer do Tribunal Regional Federal, no Cais do Apolo, no Bairro do Recife. As 80 obras em exposição, 17 delas são peças de mobiliário com suportes em ferro, levam a assinatura do artista plástico Guilherme da Fonte, que quebra e une inúmeros pedacinhos de granito e mármore em belos exemplares de arte mosaica.

Fã número um da obra e da pessoa de Ariano Suassuna, Guilherme não esconde que bebe na mesma fonte do escritor paraibano, ou seja, seus livros e livros de autores admirados pelo mestre de Casa Forte. “Três dos meus mosaicos são desenhos de Ariano e o restante vem com a inspiração”, ressalta. Para esta exposição o artista introduziu duas novas características à sua arte: alto-relevo e face dupla. Na primeira modalidade, o painel O Rei do Acauhan, de 1m10 x 1m40, serve como um bom exemplo dessa técnica recente. “Segundo Brennand e Ariano, eu devo ser o único no mundo que compõe mosaicos com este dois tipos de detalhes”, informa. A segunda foi praticada na criação de um biombo, com detalhes dos dois lados do objeto de decoração.

Artista por acaso, como costuma se autodefinir, Guilherme entrou no mundo da arte milenar do mosaico não faz muito tempo, apenas cinco anos. “Aconteceu por acaso. Até então, nunca havia-me interessado em executar nenhum tipo de arte. Foi Ariano, que também é meu sogro, que notou que eu levava jeito para ser artista”, confessa.

O escritor paraibano tinha razão. Guilherme, de fato, tem aptidões artísticas inquestionáveis. Seus painéis e móveis – mesas redondas grandes, pequenas, quadradas, aparadores e biombos – chamam a atenção pelo apuro artístico e imaginativo. Apesar de pouco tempo no mercado e da concepção equivocada do público quanto ao peso e uso dos painéis, Guilherme se diz satisfeito com sua aceitação no mercado de artes pernambucano. “Têm uns que penduro com um prego pequeno”, desmistifica.

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Jornal do Commercio
Recife - 13.10.2000
Sexta-feira