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ENTREVISTA/Toshiaki Koyama, do JAWOK
Japoneses já têm 3 estádios prontos para 2002

Ainda faltavam mais de 600 dias para a Copa do Mundo 2002, sediada no Japão e na Coréia, quando Toshiaki Koyama, relações públicas do JAWOC, comitê japonês de organização, recebeu a reportagem do Jornal do Commercio, no quartel-general do comitê, em Tóquio. Mas qualquer um pensaria que a Copa seria dali a menos de um ano, tamanha a organização. Três de 10 estádios japoneses estão prontos. Os outros, mais de 50% construídos. No entanto, a venda de tíquetes, que devia ter começado este mês, foi adiada, para o JAWOC fazer a sintonia fina do sistema online. Koyama tem orgulho dos avanços japoneses. E não esconde um certo desdém com os vizinhos coreanos. Mesmo assim, os dois países prometem uma Copa inesquecível.

JORNAL DO COMMERCIO – Quais as principais diferenças entre a organização da Copa do Mundo no Japão e na Coréia?
TOSHIAKI KOYAMA – Os comitês de organização (JAWOC, no Japão, e KOWOC, na Coréia) têm composições bastante diferentes. Aqui, a equipe tem 140 pessoas. Algumas são representantes do Governo, de ministérios como Transportes, Comunicação, Relações Exteriores, além de governos locais de cada prefeitura onde haverá jogos. Mas também tivemos o cuidado de incluir várias pessoas do setor privado. Há representantes do Tokyo Bank, da Mitsubishi, da fabricante de ar-condicionados Denso... Isso dá agilidade aos trabalhos. Na Coréia, no entanto, todos os integrantes são de órgãos do Governo. Talvez por isso no Japão já concluímos totalmente três dos dez estádios e no país vizinho, tudo ainda está em construção. Além disso, o JAWOC foi instalado em 1996, tão logo a Fifa bateu o martelo quanto à localização. O comitê coreano, no entanto, só foi instalado um ano depois.

JC - O que está sendo feito para divulgar a Copa do Mundo e quebrar a resistência e o ceticismo inicial manifestado por comentaristas internacionais, sobretudo europeus?
KOYAMA - Já realizamos 20 conferências de imprensa somente na Europa. Hoje já há uma boa compreensão por parte da imprensa especializada de que faremos uma Copa do Mundo inesquecível. Estamos neste momento organizando os encontros que manteremos no continente americano. Devemos fazer alguns encontros na América do Sul. Já há um previsto para a Colômbia.

JC – Quantos visitantes vocês estão esperando?
KOYAMA – A expectiva inicial é de que vamos receber cerca de 500 mil pessoas. No entanto, este número pode dobrar. Tudo depende dos resultados das eliminatórias. Acreditamos que, se a China se classificar (e tem chances para isso), pelo menos meio milhão de chineses devem vir ao Japão, por conta da proximidade, acompanhar os jogos do seu país. Parece incrível, mas nunca torcemos tanto pelos chineses...

JC – Quais são as principais dificuldades enfrentadas pela organização?
KOYAMA – A sede dividida é a maior delas. Olhando no mapa, Coréia e Japão parecem estar tão perto, mas de Tóquio (capital japonesa) para Seul (capital sul-coreana). são três horas de vôo (mesma distância, por exemplo, entre o Recife e São Paulo). Há também grandes diferenças culturais e econômicas.

JC – Quanto está sendo investido na organização?
Cada um dos 20 estádios (10 na Coréia e 10 no Japão) deve custar cerca de US$ 300 milhões. O orçamento do comitê japonês é de US$ 60 milhões, que serão gastos com divulgação, infra-estrutura e pessoal.

JC – De onde vem a verba para a realização da Copa do Mundo?
KOYAMA – Aqui no JAWOC temos basicamente três fontes de recursos. O primeiro é a própria Fifa, que deve disponibilizar, até o ano 2002, cerca de US$ 100 milhões. Depois temos os patrocinadores, cuja verba de patrocínio ainda não está estabelecida. Temos ainda a renda que será acrescentada pelas doações, principalmente por parte da loteria nacional. Por fim, temos a renda que será arrecadada com a venda de ingressos. O mais barato deve custar cerca de US$ 17, para as partidas classificatórias menos representativas. E o mais caro ingresso será o da final, que deve custar até US$ 840.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo