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MUNDIAL DO JAPÃO III
Coréia e Japão têm profundas diferenças culturais e econômicas

Para quem acha que todos os que têm olhos puxados são iguais, aprendam desde já uma lição: Coréia não tem absolutamente nada a ver com o Japão. São vizinhos, sim. E vão abrigar, juntos, a primeira Copa do Mundo com duas sedes da História. Resultado de uma decisão salomônica da Fifa que queria contentar os dois países orientais ao mesmo tempo.

A decisão, na verdade, foi apenas o começo dos problemas. Separados por diferenças de língua, econômicas e culturais, coreanos e japoneses são tão despeitados entre si quanto brasileiros e argentinos. Daria para imaginar uma copa co-sediada pelos dois países latino-americanos? Para tentar ser politicamente correta, a Fifa instalou dois comitês (um de cada lado do Mar do Japão) e resolveu que a Coréia abre e o Japão encerra o campeonato. Além disso, cada país ganhará exatamente o mesmo número de estádios: dez.

As semelhanças param por aí. Na Coréia, futebol é esporte nacional. No Japão, onde a galera curte mesmo é beisebol, apenas três dos dez estádios construídos são exclusivos para o futebol. Economicamente, o iene japonês é moeda forte. O mesmo não se pode dizer do won coreano (a relação, hoje é de 10 wons para cada iene, sendo que a moeda japonesa vale cerca de 10 centavos de dólar).

As línguas também são diferentes. No Ocidente temos o vício de achar que, só porque os ideogramas são semelhantes, fala-se a mesma língua do outro lado do globo. Seria como se, só porque partilham as mesmas letras do alfabeto, inglês e português fossem a mesma coisa. O custo de vida também é diferente. Nesse ponto os coreanos oferecem os preços mais vantajosos.

Mas o Japão tem a questão da segurança como seu maior trunfo. Questionado sobre se temia que a maioria dos visitantes optasse pela Coréia por conta dos preços, Tashiaki Koyama lança o desafio: “Duvido que na Coréia uma mulher possa andar sozinha de madrugada e ter a certeza de voltar ilesa ao hotel”.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo