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JOGO DE BASTIDORES
Mudança aumenta dificuldade para Luís Silva na Paraolimpíada de Sidney

por Levivaldo Aragão
Editor de Esportes

SIDNEY – Luís Silva recebeu a notícia com calma, embora depois de sentir-se fora da disputa na sua categoria tradicional. O conhecido nadador paraolímpico de Pernambuco, detentor de vários troféus e medalhas, não mais correrá em busca do ouro na sua classe costumeira, tendo passado, por forca das autoridades paraolímpicas internacionais da S 5 para a S 6 (esse cinco para esse seis), de acordo com a classificação do esporte paraolímpico. Luís teve assim diminuídas as chances de obter medalha de ouro nas várias provas em que participaria, embora esteja confiante em fazer sucesso nas provas de que vai participar, os 50 metros nado livre, os 100 livre e os 50 borboleta, permanecendo no revezamento de 4x100 medley e 4x100 livre.

A modificação de categoria feita por uma comissão de especialistas, constrangeu os dirigentes do Comitê Paraolímpico Brasileiro, que chegaram a criticar o sistema de classificação, em que uma espécie de júri dá sua sentença. Atribui-se a decisão a manobras encetadas pela Argentina e pela Alemanha, principalmente depois das quatro medalhas de ouro conquistadas por Luís Lima em campeonatos mundiais. “Não é comum ver um atleta quebrar quatro recordes seguidamente”, observa o treinador de Luís Antônio da Silva, José Rosélio de Queiroz, Zeca. Este confessou que já esperava a reação dos “inimigos”, depois do crescimento de Luís, através dos tempos, e com a aproximação da Olimpíada. “Ele já tinha conversado comigo”, comenta o nadador, entre conformado e frustrado.

Para os dirigentes do CPB, houve um erro de procedimento na decisão, a partir do momento em que o atleta foi avaliado - é analisado o grau de maior ou menor dificuldade que o atleta vai enfrentar. “Ele tem uma vantagem em relação aos outros, mas não se pode classificar talento”, diz Zeca.

Já Luís Silva espera se dar bem nas provas que disputará, embora vá enfrentar outros adversários de maior potencialidade. “Continuarei treinando e me preparando para obter um bom resultado na Olimpíada”, disse Luís, nascido a 25 de setembro de 1981, 1,78m, 68 quilos, defensor da Associação Atlética Santos Dumont.

Com a saída de Luís Silva do revezamento na sua categoria anterior, a s 5, Zeca procurou fazer um trabalho psicológico com o restante da equipe, mostrando aos demais nadadores que todos deviam superar as dificuldsdes e lutar por uma medalha. Procurando denotar tranqüilidade, Zecão declarou: “Se brigar a gente briga pelo ouro no revezamento, apesar de tudo.”

A esperança é muito grande no que se refere às chances de Luís Silva no revezamento, não obstante as mudancas.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo