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DIA DAS CRIANÇAS III
Maquete controlada por micro faz a criança aprender brincando

por Bruna Cabral
bruna@jc.com.br

Aprender brincando conceitos como energia e funcionamento de motores. Essa é a filosofia do Super Robby, interface desenvolvida pela empresa pernambucana ARS Consultoria, que integra hardware e software, permitindo a criação de maquetes animadas e controladas por computador, através da tecnologia robótica. O equipamento é utilizado por várias escolas de todo o País, nos ensinos fundamental e médio, e já foi apresentado até em um congresso nos Estados Unidos.

Para tornar-se acessível às mais variadas faixas etárias, o equipamento pode ser utilizado com dois softwares: o Super Robby, desenvolvido pela ARS Consultoria, ou o MegaLobo, conhecida linguagem de programação. “De manuseio mais simples, o Super Robby é mais indicado para crianças com idade inferior a 11 anos”, afirma a diretora de ensino da ARS, Fátima Bernardes.

De acordo com a educadora, os softwares, compatíveis com Windows, permitem que sensores, pequenos motores e lâmpadas instalados em uma maquete garantam movimento a portas ou janelas e energia para iluminar o projeto em miniatura. “O mecanismo é simples. Quando instalamos uma lâmpada na maquete, por exemplo, conectamos um fio ao hardware do Super Robby, que por sua vez fica ligado ao computador onde está instalado o software que recebe os comandos”, explica Fátima Bernardes. Quando o software utilizado para programar é o MegaLobo, há ainda a possibilidade de visualizar a maquete no computador e de controlar os movimentos a partir de sensores instalados na maquete.

O equipamento, que custa R$ 352, pode ser usado em atividades interdisciplinares e até como lazer doméstico. “Muitos pais têm adquirido o produto para estimular o filho a desenvolver projetos em casa, como sistemas de alerta que acionem uma luz na sala sempre que a porta principal for aberta, ou coisa parecida”. A maquete pode ser construída com materiais simples como isopor e papelão.

APRENDIZADO VIRTUAL – Além de softwares, a ARS desenvolve projetos de integração das novas tecnologias na educação. “Apesar de já fazer parte do cotidiano de universidades, empresas e até de grande parte das famílias brasileiras, a Internet e a própria informática ainda são pouco exploradas nas escolas de ensino fundamental e médio”, afirma o supervisor pedagógico da ARS, Luís Geraldo da Silva.

O educador ressalta que a facilidade de transmissão de informações através da Rede muda ou redimensiona o papel do professor, que passa a ser um mediador entre a criança e essa nova forma de comunicação, fazendo uma escolha seletiva de conteúdo.

Para facilitar essa relação ainda incipiente, a ARS criou vários projetos que integram escolas de todo o Brasil, permitindo a comunicação entre os estudantes através de e-mail. Um deles é o Invenção do Brasil, que existe há cinco anos, e envolve escolas de nove estados. “Cada unidade escolar realiza pesquisas na Internet sobre cada período da história nacional. Depois, os estudantes trocam e-mails e elaboram um projeto sobre o tema, podendo ser peça ou apresentação de dança, que são exibidos num grande evento”, explica Luís Geraldo.

A entidade já desenvolveu vários outros projetos nessa linha, como o Quinhentos anos de Seca no Brasil, o De Olinda a Holanda: Uma Viagem com o Boi Voador no Século XVII e o Homens e Bichos. A ARS integra ainda projetos internacionais como o Povo Latino, que é coordenado por uma escola paulista e conta com a participação de estudantes da Argentina e de Portugal.

e-MESTRE – Para ampliar esses programas, atendendo ainda à demanda de professores brasileiros carentes de reciclagem de conhecimento, a empresa firmou, recentemente, uma parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através do Virtus, para desenvolver projetos de educação a distância.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.10.2000
Quarta-feira