LG_jc.gif (3670 bytes)

DIA DAS CRIANÇAS VI
Engenhocas de gente grande adaptadas para criança usar

por Bruna Cabral
bruna@jc.com.br

Não há nada que criança goste mais que imitar os adultos, seu hábitos e atitudes. Apostando nessa teoria, algumas empresas estão lançando versões ‘café com leite’ de equipamentos tradicionais, como teclados e laptops. Esses brinquedos, além de diversão, garantem às crianças familiaridade com os computadores e as novas tecnologias.

O teclado Comfy, da Positivo, é uma dessas engenhocas feitas para o público mirim. Desenvolvido para ser usado com software específico, o equipamento vem com dois CD-ROMs: Touch and See e Comfyland, destinados às faixas etárias de um a dois anos e de dois a seis, respectivamente. Através do teclado, que tem 20 teclas – nenhuma delas referente a números ou letras – e ainda é equipado com um telefone, a criança pode interagir com os cinco personagens do software e até falar com eles.

Das 20 teclas, seis são usadas para controlar as cores do cenário, cinco para entrar em contato com os personagens, três para controlar o tempo – fazendo chover, anoitecer ou amanhecer –, uma para dar uma pausa na historinha e outras seis para ouvir o som de instrumentos musicais ou de uma banda. Além disso, há no topo do teclado um cilindro que interrompe a história, fazendo surgir na tela dezenas de figuras coloridas, como palhaços, bolas e balões.

No CD–ROM Touch and See, que pode rodar em três níveis, a criança é apresentada aos cinco personagens (Comfy, o bom menino, Jumpy, o cachorro travesso, Buddy, o urso curioso, Snaily, o caracol cuidadoso, e Feely, a elefanta distraída). Depois, visualiza objetos coloridos, apertando nas teclas das cores, ou vê o dia anoitecendo e amanhecendo, se pressionar as teclas que controlam o tempo. No entanto, as opções são muito limitadas diante das possibilidades oferecidas pelo segundo CD, o Comfyland.

A partir desse software, que apresenta histórias de enredo e cenários mais elaborados, é possível ligar e até receber telefonemas dos cinco habitantes da Comfyland, além de intervir no destino deles. Para facilitar a vida dos pequenos usuários, durante o desenrolar do enredo, os personagens dão indicações de como usar o teclado.

Os CDs rodam em português ou inglês e o teclado é compatível com máquinas IBM ou Mac, sendo acoplado pela porta paralela, o que significa que é preciso desativar a impressora. Segundo os fabricantes, o equipamento, que custa de R$ 79 a R$ 99, contribui para o desenvolvimento de habilidades motoras, sensoriais e de raciocínio das crianças. No entanto, para aqueles que já têm certa intimidade com computadores, o software pode parecer lento demais. Outro problema é a baixa resolução da imagem, que torna imprescindível uma dose extra de imaginação.

LAPTOP – No mesmo nicho de ‘brincar de ser adulto’, a Gemini lançou o Children’s Laptop, que ensina conceitos básicos de programação, além de brincar com letras, músicas e palavras. O ‘laptop júnior’, destinado a crianças de quatro a sete anos, oferece 24 opções de atividade, que se dividem nas categorias vocabulário e gramática, matemática, música e desenhos, e jogos e diversão. Pesando 1,2 kg, o equipamento funciona com seis pilhas AA e custa cerca de R$ 120.

Outro produto interessante é o CD Player da dupla Sandy e Júnior, da Casio. O equipamento é portátil e tem sistema de reforço de graves (BBS) e desligamento automático, pode ser programado e vem com fone de ouvido e adaptador. Pesando 235 gramas, o CD Player funciona com duas pilhas AA e custa R$ 177.

Também nessa linha de brinquedos eletrônicos, há outras opções, no mínimo, engraçadas. Para aqueles que sonham com um bicho de estimação, mas sempre esbarraram na implicância dos pais, que zelam pela integridade de seus imóveis, a Deltagift lançou o Megabyte, o Cão Cibernético. Com censores de movimento, o animal – ou melhor, o equipamento – funciona através de controle remoto, emitindo sons e fazendo diversos movimentos.

Além de ser capaz de ficar em seis posições, ele balança a cabeça para os lados, abre e fecha as mandíbulas, gira as orelhas e late. Com dimensões de 27 por 32 cm, o cão ‘alimenta-se’ de quatro pilhas médias. O controle precisa de três pilhas pequenas. A companhia do brinquedinho cibernético, no entanto, custa caro. Não sai por menos de R$ 149.

________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 11.10.2000
Quarta-feira