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DIA DAS CRIANÇAS IX
O FASCINANTE MUNDO DA INFORMÁTICA

É inegável o fascínio que o computador exerce sobre a criançada. Professores e pedagogos defendem o seu poder como valiosa ferramenta educacional. Na opinião da psicóloga especializada em crianças e adolescentes Ana Daniela Cordeiro, entretanto, é necessário acompanhar de perto o uso que a garotada faz do micro e da Internet, para que se evitem os exageros e prejuízos à sua formação.

Nessa orientação, os pais exercem papel fundamental, tanto para ajudá-la a navegar, como para ensiná-la a escolher o melhor conteúdo e a diversificar as atividades, sem deixar, dessa forma, que o universo individualizante da informática se torne único na vida dos seus pupilos. “Se a criança passa a recusar convives para festas, brincadeiras com os amigos ou se isola do convívio familiar e tem o sono e os estudos atrapalhados, é sinal de que algo não vai bem e que está na hora de impor limites”, explica a psicóloga.

Matheus Fernando Tavares, 12 anos, foi um desses internautas mirins que precisou de um certo ‘puxão de orelha’ para aprender a usar o computador com mais cautela. No semestre passado, o garoto – que, como boa parte dos da sua faixa etária, adora sites de Digimon e Pokemon, além de entrar em bate-papos virtuais, enviar e-mail e ouvir MP3 – começou a tirar notas baixas no colégio, por conta das horas a fio em frente ao PC, à televisão, ao videogame e demais atrativos eletrônicos. “Eu me distraía e não estudava”, conta Matheus.

Atentos ao comportamento do menino, os pais resolveram interferir e estabelecer critérios para o acesso ao micro: “Agora ele só tem direito ao computador depois de terminar as tarefas escolares e só pode ficar plugado no máximo duas horas por dia. Tentamos dosar suas brincadeiras, porque tudo em excesso faz mal”, diz a mãe de Matheus, Isa Mendonça.

O garoto procura obedecer às regras e até já melhorou seu desempenho na escola, mas confessa que de vez em quando ainda tenta driblar as normas. “Quando eles não estão em casa, passo mais tempo navegando. Por mim, ficava umas quatro horas por dia”. “É que tem tanta coisa para ver”, justifica.

De acordo com Ana Daniela Cordeiro, não há como determinar o tempo ideal de permanência de uma criança junto ao micro, tampouco como proibir o contato da garotada com a Internet, até porque a privaria de utilizar essa estimulante forma de comunicação e integração com o mundo. É possível, contudo, fazê-la compreender a real função do computador, que deve ser direcionado principalmente para fins pedagógicos. “A Internet não pode substituir a leitura de livros e revistinhas ou brincadeiras como o futebol, as bonecas ou o esconde-esconde. O equilíbrio é uma das condições essenciais para uma vida saudável”, avalia. (M.D)

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Jornal do Commercio
Recife - 11.10.2000
Quarta-feira