LG_jc.gif (3670 bytes)

BRASIL - ALEMANHA III
Consul destaca o sucesso alemão no primeiro mundo

JORNAL DO COMMERCIO – Apesar da reunificação da Alemanha, quando o leste foi absorvido com todas as suas deficiências econômicas e sociais, não se viu uma queda no padrão político-econômico da Alemanha. Por que?

THOMAS MEISTER – Acho que a situação no momento na Alemanha é muito boa, pois no Leste – na porção oriental da Alemanha – já tínhamos um nível de 95% dos salários equivalentes e todos os indicadores sociais mostram que a qualidade da vida na parte oriental é quase mais ou menos a mesma que na ocidental. A parte ocidental alemã paga uma contribuição que vai de três a cinco por cento do nosso imposto sobre a renda, mas eu acho que a parte ocidental tem que reconhecer essa dívida e não há prejuízo no nosso crescimento por causa disso. Na parte ocidental nós temos a mais moderna infra-estrutura da Europa. Agora, com a entrada de novas empresas, a parte oriental ainda tem que lutar, por causa da competitividade. Compare a Alemanha com os outros países do ocidente, estamos bem na frente com relação aos países mais desenvolvidos com o melhor desempenho econômico da União Européia.

JC – Houve algum tipo de problema de convivência social, nesses 10 anos, entre os alemães que estiveram separados pelo muro?
MEISTER – Houve alguns problemas psicológicos, algumas pessoas que ainda ficam com o muro na cabeça, mas eu acho que gradativamente vamos superar esses problemas. Temos que considerar que foram 40 anos que essas pessoas viveram num regime totalitário.

JC – A Alemanha já fez muitos investimentos no Brasil, mas parece que esse ritmo diminuiu nos últimos anos. Por que?
MEISTER – Para a Alemanha o Brasil é o terceiro mais importante parceiro econômico no mundo e por isso os investimentos no Brasil eram para o País que é o mais importante parceiro também na América do Sul. É possível ver o caso de São Paulo, onde existem mais de mil empresas alemães. Mas nos últimos anos a Alemanha teve que dar uma nova atenção à privatização, principalmente nas áreas de comunicação e abastecimento d’água, onde ingressaram outros países como Espanha, Portugal, França, Estados Unidos.

JC – O presidente Fernando Henrique Cardoso esteve agora na Alemanha. Ele tem cobrado da ONU uma participação mais efetiva do Brasil na Organização, ou seja, quer uma cadeira permanente no Conselho de Segurança. Qual sua opinião?
MEISTER – Eu acho também que nós precisamos de uma reforma no Conselho de Segurança e no sistema da ONU. Também a Alemanha busca um assento no Conselho de Segurança Nacional; agora, há algum tempo tentamos conseguir fazer uma mudança no Conselho de Segurança, não só com a entrada do Brasil, como do Japão, Índia e outros países. Os países com os quais mais contribuímos não têm assento no Conselho de Segurança e muitas vezes temos que intermediar as conversações.

JC – O sr. vê condições de existir um maior intercâmbio entre o Mercosul e a União Européia?
MEISTER – Sim. Esse é o maior assunto da ida do presidente Fernando Henrique à Alemanha. O nosso primeiro-ministro e o presidente FHC destacaram a necessidade de existir um livre acesso e um possível intercâmbio entre a União Européia e o Mercosul.

JC – Aqui no Nordeste quais são os projetos da Alemanha, existe algum em fase de implantação?
MEISTER – Para nós do Consulado a coisa mais importante é a cooperação, seja econômica ou social. Aqui a cooperação teuto-brasileira conta com 20 projetos, com volumes entre dois e 20 milhões de reais, que se concentram nas áreas de combate à pobreza (Prorenda Urbana e Prorenda Rural) de meio ambiente, através da CPRH, da pequena e média indústria, em convênio com Senai e Sebrae, de saneamento básico, com a Compesa, e de eletrificação rural, junto com a Celpe e Chesf, e finalmente um na área de saúde. Nessa cooperação, o Estado de Pernambuco tem o maior número de projetos no Nordeste, oito, enquanto o Ceará tem cinco e a Bahia quatro. Além disso, o DED (Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social), as fundações políticas da Alemanha e as Igrejas, como as ONGs realizam ainda projetos nas áreas de cooperação entre os dois países no Nordeste. O investimento alemão no Nordeste é da ordem de 200 milhões de reais.

JC – Há projetos para ampliar as atividades culturais no Recife especificamente?
MEISTER – Sim. Essas exposições e a música, já são difundidas no Instituto de Cultura em Salvador. Antigamente estimava-se que o instituto na Bahia era suficiente, agora deseja-se ampliar para Pernambuco e Fortaleza. Acho que Pernambuco será o beneficiado.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo