LG_jc.gif (3670 bytes)


NO PÉ DA CONVERSA
Lenivaldo Aragão

Esbaforido

Do livro Na Boca do Túnel, do médico Maeterlinck Rêgo Mendes, do Rio Grande do Norte, tiro, logicamente autorizado pelo autor, uma das muitas duas histórias envolvendo o técnico Velha, com quem o médico-escritor potiguar conviveu no América de Natal: precisando reforçar o time, na eterna luta com o arqui-rival ABC, o América, por indicação de Velha contratou um ponta de nome Almir.

Acontece que o recém-contratado chegou à capital norte-rio-grandense com muito peso acima do normal. Banha dava no meio da canela e foi passado um tratamento de choque para que o jogador entrasse nos trinques. Afinal, a ponta-direita exige muito do jogador, que tem que estar sempre leve para dar aqueles piques que levam a torcida – se for a sua que estiver ao lado – à loucura, como dizem os narradores esportivos. O preparador físico puxava nos exercícios especiais, porém, Almir sempre caprichava na louríssima suada acompanhada dos mais variados petiscos em que os bares da orla natalense são pródigos e lá ia todo o esforço do homem da preparação física para o beleléu.

Velha já estava subindo pelas paredes, uma vez que a indicação do jogador fora sua e os dirigentes começavam a cobrar suas atuações, no que tinham carradas de razão. Já que o jogador não queria colaborar, o treinador resolveu aplicar o método que achou mais adequado para fazê-lo entrar em forma.

Velha convocou Almir para se apresentar ao meio-dia na sede do clube. O jogador atendeu prontamente e foi informado de que seria submetido a partir daquele momento a um novo tratamento para baixar o lombo, pois se aquela situação perdurasse, ele corria o risco de ser mandado embora sem ao menos mostrar à diretoria e à torcida, que não era um blefe.

O treinador levou-o para uma das quadras descobertas do clube, sol a pino, e enrolou-o com dois cobertores de lã e colocou-lhe uma touca de croché na cabeça, mal aparecendo os olhos. Foi assim que o jogador passou um bom tempo deitado na quadra em pleno verão potiguar, ficando completamente esbaforido.

Por acaso o próprio Maeterlinck que conta a história ia passando pelo local, quando deparou-se com aquela marmota. Almir, estava estendido dentro dos cobertores, já com cara de fadiga, e Velha seguia firma na sua vigília, marcando em cima.

Depois da reação de espanto, o médico tratou de mostrar que aquele procedimento/tratamento não levaria a nada, antes pelo contrário. Para desgosto de Velha e alegria de Almir, o tratamento foi encerrado, na hora.

Cebola

Jânio de Menezes Feitosa, manda mais uma historiazinha de Cebola, uma figura bastante popular da área Petrolina-Juazeiro, que exerce a função de massagista do Juazeiro Social Club, equipe participante da primeira divisão do Campeonato Baiano e da Copa João Havelange. Cebola, uma versão sertaneja de Dedeu, diverte quem quer que tenho contato com ele, com suas tiradas em que pontificam um certo toque de ingenuidade. Pois vamos a ela. Certo dia, Cebola pediu ao presidente do clube, Carlos Humberto, dois mangos para cortar o cabelo. Ao receber o dinheiro, depois de pensar alguns segundos, pediu mais um real. Ao ser indagado pelo patrão sobre o novo pedido, gaiato como é, o massagista saiu-se com esta pérola: “É que eu resolvi cortar o cabelo bem baixinho...”

Irmandade

Jogavam Botafogo e América pelo Campeonato Carioca, quando a certa altura houve um pênalti contra o Glorioso. Expectativa geral no Maracanã, quando o zagueiro Alemão tomou posição para o chute. Alemão, revelado pelo Sport, ficou famoso como emérito cobrador de tiros livres. Era uma das atrações no torneio-início, que antecedia a abertura do Campeonato, em que muitos jogos eram decididos nos pênaltis. É que Alemão tinha um verdadeiro torpedo nos pés e sempre estufava a rede. Naquele pênalti, no clássico carioca, à sua frente estava o notável Manga, que vinha a ser seu irmão mais velho. Enquanto Alemão tomava distância – e como tomava – para o chute, ouvia a provocação de Manga, a quem chamava de Maninho: “Com Manguinha não tem esse negócio de família não. Aqui você não vai fazer gol não.” Cumpriu a promessa, para a alegria dos botafoguenses.

Estão presentes em Sydney, 34 jornalistas da grande maioria dos estados nacionais, como convidados do CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro). O objetivo é abrir espaço na imprensa brasileira para que o esporte paraolímpico se torne mais conhecido e mereça uma maior atenção, não apenas dos poderes públicos, mas também dos empresários, que podem ver nele um investimento capaz de proporcionar retorno.
*** E o Santinha? Precisa urgentemente de uma reformulação no futebol para retornar ao caminho das vitórias. Claro que Renê Simões é um técnico competente, mas na hora da crise não tem jeito, sobra mesmo para o treinador. Espera-se agora que Nereu dê aquela mesma sacudidela no elenco como fez na Segundona do ano passado.
*** A cada dia que passa as CPIs da Nike e do futebol brasileiro ficam mais perto. Vamos esperar que os deputados não caiam no lobby da CBF e levantem todas as informações. Está na hora de saber quem é quem no nosso futebol. Chega de contratos obscuros e falta de transparência.


Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo