![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
A voz das urnas Deve-se aguardar o segundo turno para se fazer uma leitura mais precisa do resultado dessas eleições. Em mil novecentos e noventa e seis o fenômeno foi nacional e não foi difícil fazer a tradução: o voto não foi ideológico e sim de caráter administrativo. Prefeito que estava bem avaliado conseguiu fazer o seu sucessor porque o eleitorado brasileiro, notadamente o das grandes cidades, fez opção declarada e firme pelo chamado voto da eficiência. Assim é que, apoiados pelos seus antecessores, elegeram-se Raul Pont (Porto Alegre), Cássio Taniguchi (Curitiba), Celso Pitta (São Paulo), Luiz Paulo Conde (Rio de Janeiro), Roberto Magalhães (Recife), Kátia Born (Maceió), Célio de Castro (Belo Horizonte) e Juraci Magalhães (Fortaleza), entre outros. Já neste segundo turno parece estar haver uma miscelânea entre voto administrativo e voto político. No caso de São Paulo, por exemplo, a preferência por Marta Suplicy deve-se ao desastre de Pitta, em primeiro lugar e, em segundo, ao crescimento da onda PT como consequência do inconformismo da grande maioria da população com a política econômica de Fernando Henrique, cujo Plano Real derrubou a inflação mas não resolveu o problemas dos excluídos. Mas no caso do Recife, não. Roberto Magalhães sempre esteve bem avaliado em todas as pesquisas de opinião e nem de longe se compara a Pitta, nem política e nem administrativamente. Então, o que teria acontecido com ele para ele ser rebaixado de 49,42% no primeiro turno para 38% no segundo? Só a onda PT? É uma leiturazinha complicada que só deverá ser feita com cuidado quando terminar a eleição. Critica direta Sob a alegação de que a ilha de Cuba fez parte das suas utopias nos tempos de militância estudantil, o ex-deputado Maurílio Ferreira Lima (foto) protestou com veemência - no jantar dos aliancistas na casa de Inocêncio Oliveira - contra o uso do nome de Fidel com finalidade eleitoral. O mal-estar, como não poderia deixar de ser, foi generalizado. CPIs do futebol O presidente do PSL e do Sport, Luciano Bivar, representará o seu partido na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que será instalada na Câmara na próxima terça-feira para investigar o contrato da Nike com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O presidente será Aldo Rabelo (PCdoB), que foi o autor da proposição. À Câmara Federal Politicamente revigorado pela reeleição de 19 prefeitos do PSB, o ex-governador Miguel Arraes está decidido: será candidato a deputado federal em 2002. Dos 22 prefeitos que ficaram no partido após o insucesso de 98, apenas três não se reelegeram: Carlos Freitas (Aliança), José Paulo (Rio Formoso) e Sebastião Menino (Lagoa de Itaenga). Só cabe um O ex-ministro Ciro Gomes já teria dito a Roberto Freire que o Estado do Ceará não pode ter dois candidatos a presidente em 2002. Sairá ele ou Tasso Jereissati. O senador está inquieto com a possibilidade de Ciro desistir e já disse a ele de viva voz: Sua candidatura não mais lhe pertence e sim a um conjunto de forças que extrapola o nosso partido. Balanço adverso Ouviu-se na cúpula do PFL que dos três maiores caciques do partido o que mais saiu chamuscado nessas eleições foi Osvaldo Coelho: perdeu as prefeituras de Petrolina, Ouricuri, Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande, e não tem mais nada em Araripina. O clã fez apenas os prefeitos de Dormentes, Serrita, Santa Cruz, Orocó e Bodocó. Um Coelho na vaga de Lócio na direção da Codevasf Circula uma informação na bancada federal segundo a qual o prefeito de Petrolina, Guilherme Coelho (PFL), substituiria Airson Lócio na direção da Codevasf a partir de janeiro de 2001. Interior também virá para ajudar Roberto Magalhães Discute-se no comitê de campanha de Roberto Magalhães (PFL) a possibilidade de um pedido de ajuda a todos os prefeitos do interior ligados ao governo, já que todos têm votos no Recife. Recesso branco Pré-candidato do baixo clero à presidência da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE) partiu em defesa da instituição por ter dispensado os parlamentares durante a semana pré-eleitoral. Todos os parlamentos do mundo funcionam assim, disse ele. O único erro da instituição, segundo o deputado, é a dependência do Poder Executivo. Guerra declarada Do deputado Eduardo Campos (PSB) ao ser informado por assessores de que será um dos sacos de pancada do guia eleitoral da aliança: Se atacarem a mim ou a Dr. Arraes seremos obrigados a dar o troco e desta vez não escapará ninguém. O pau vai cantar pesado no lombo de gente graúda, passando por secretário de estado e assessor especial. A insegurança é tanta nas grandes cidades que o senador Romeu Tuma (PFL-SP) apresentou projeto de emenda à Constituição que permite às guardas municipais fazerem policiamento ostensivo mediante convênio com os estados. Hoje, elas só têm função patrimonial: proteger bens, serviços e logradouros públicos. A virada em Curitiba foi semelhante à do Recife: o prefeito Cássio Taniguchi (PFL) chegou em 1º no primeiro turno e está em 2º no segundo, perdendo para o bancário Ângelo Vinhoni (PT) por uma diferença superior à que Roberto Magalhães perde pra João Paulo. Falta garra a Ulisses Tenório para derrotar Fernando Rodovalho (PSC), é que mais se ouve no PFL sobre o candidato do PSDB à prefeitura de Jaboatão. O deputado José Múcio (PFL) foi indicado vice para ajudá-lo mas o próprio PSDB vetou a participação dele em alguns eventos de campanha, o que o deixou desestimulado. |
|