![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
ELEIÇÕES 2000 À PROVA DE FOGO PARA A ALIANÇA por Sérgio Montenegro Filho O trator da aliança PMDB/PFL esbarrou em um obstáculo inesperado e sofreu uma pane nas engrenagens. A comparação traduz a surpresa dos aliados do governador Jarbas Vasconcelos e do prefeito-candidato Roberto Magalhães com o encaminhamento da disputa pela Prefeitura do Recife para um 2º turno. A pane provocou tumulto na aliança e forçou a parada do trator para uma revisão. No início da semana passada, o próprio Jarbas reiterou a advertência feita no início da campanha: Derrota de Magalhães é derrota minha, avisou. Mas apesar do clima de intranqüilidade, a ordem é manter a imagem de otimismo. Ninguém cogita a hipótese de derrota e, quando o faz, garante que não abalaria a aliança. Nos bastidores, porém, a conversa é mais cautelosa, com direito a reflexões. Uma delas é a de que, se houve falha, foi na condução do processo, mas não da aliança como um todo, que continua unida. Há quem lembre antigas dificuldades, como as queixas de deputados estaduais sobre o tratamento que vinham recebendo no iníci do Governo. Na avaliação de alguns aliancistas, isso pode ter repercutido na eleição. Uma espécie de protesto, com os deputados cruzando os braços na campanha. Outros aliados defendem que uma derrota forçaria a cúpula da aliança a refletir sobre os erros e acertos na condução do processo. Um dos pontos que devem ser analisados, segundo observam pefelistas e peemedebistas, é a composição da chapa. A escolha do deputado Sérgio Guerra (PSDB) para a vice de Magalhães ajudou a espantar o fantasma da candidatura de João Braga, mas gerou descontentamentos, principalmente no PMDB, que desejava a reedição da dobradinha PFL/PMDB, com Magalhães e Raul Henry. A inclusão do PSDB um aliado tardio deveria se dar sem cargos ou privilégios. Outro aspecto que precisa ser revisto pela cúpula é o tratamento destinado às bases no interior, onde as costuras políticas nem sempre tiveram êxito. Em alguns municípios, Jarbas foi forçado a ficar neutro, para não ter que escolher entre o palanque do PMDB, do PFL ou do PSDB, que brigavam entre si. Passadas as eleições, o Palácio comemorou a vitória de 134 prefeitos ligados ao Governo, mas ainda terá que aparar arestas porque a adversidade local permanece. Há prefeitos peemedebistas que terão o PFL na oposição, e vice-versa. SOLIDEZ O presidente do PFL, André de Paula, minimiza os efeitos negativos do 1º turno. Para ele, ganhar no Recife não é uma prova de fogo para a aliança. Vai servir para mostrar nossa força. Mas um movimento como a nossa aliança não vive só de resultados eleitorais, diz. Segundo ele, as divergências são naturais em qualquer partido, mas as convergências são maiores. Insatisfações pontuais não enfraquecem a aliança, porque a cúpula é sólida, emenda o deputado Augusto Coutinho (PFL). Claro que perder um poder como a Prefeitura do Recife criaria dificuldades, mas não quebraria a aliança, garante. Em coro, o deputado Armando Monteiro Neto (PMDB) aposta na vitória, mas diz que a aliança sobreviveria à derrota. Há um compromisso muito forte com Jarbas, explica. </CS>Por último, o deputado e ex-governador Joaquim Francisco justifica que a aliança não foi feita só para eleger Magalhães ou qualquer outro candidato. Foi feita em torno de propostas para o Estado, destaca. Experiente, Joaquim lembra que ninguém tem know-how de 2º turno no Recife. Por isso, a situação exige empenho e cautela. Ex-prefeito, ele lembra também a rebeldia do eleitorado recifense, que costuma votar na oposição, qualquer que seja ela. Nesse aspecto, Joaquim tem razão. Se vencer este ano, Magalhães quebrará um tabu criado desde que foram reestabelecidas as eleições municipais no Recife, em 1985. De lá para cá, nenhum governador conseguiu eleger o seu candidato a prefeito. |
|