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ELEIÇÕES 2000
Um projeto de 20 anos de poder

Os alicerces da aliança PMDB/PFL começaram a ser erguidos no início da década. Em 1992, Jarbas Vasconcelos (PMDB) discutia com o então aliado Miguel Arraes (PSB) a chapa que concorreria à Prefeitura do Recife. O peemedebista desejava o apoio do ex-governador à sua candidatura, com o deputado Sérgio Guerra (à época, no PSB) na vice. Arraes discordava, e propunha a indicação do neto, Eduardo Campos (PSB), que dois anos depois poderia ficar com a PCR, uma vez que Jarbas era o nome forte para a disputa estadual de 94.

O peemedebista não concordou com a indicação de Eduardo e resolveu disputar a PCR sem o apoio de Arraes, que lançou o neto. O PFL indicou como candidato ‘pró-forma’ o deputado André de Paula, que terminou em terceiro, ainda à frente de Eduardo. Foi a deixa para o rompimento dos dois antigos aliados. O caminho estava livre para o ‘namoro’ do PMDB com o PFL, tendo Arraes como adversário comum.

Em 93, a aproximação ganhou força. Jarbas abriu o diálogo com caciques do PFL como Gustavo Krause, José Jorge e José Mendonça, que mais tarde se tornaria o maior entusiasta da aliança. Arestas aparadas, foi marcado um almoço na fazenda de José Mendonça, em Belo Jardim, reunindo o prefeito Jarbas e o líder do PFL no Estado, à época, o governador Joaquim Francisco. Como testemunhas, cerca de vinte prefeitos dos dois partidos. Estava consolidado o ‘noivado’.

No início de 94, seguiram-se outros atos, inclusive com a participação de Marco Maciel. O PFL, então, lançou Jarbas candidato a governador. Mas o peemedebista sentia que seu partido ia rachar – parte da legenda ainda não havia digerido a aliança com os adversários históricos – e não aceitou. Desfiliou-se do PMDB para apoiar o candidato pefelista Gustavo Krause, derrotado por Arraes.

Eleito Arraes, Jarbas assumiu a liderança da oposição. Um ano depois, em 96, firmaria de vez a aliança, um projeto de 20 anos de poder, com o seguinte acordo: Apoiaria Roberto Magalhães para sucedê-lo na Prefeitura, com o PMDB na vice. Em troca, receberia o apoio do PFL em 98, na disputa pelo Governo do Estado, cedendo a vice aos pefelistas. O resultado desse ‘casamento’ foi uma vitória esmagadora em 98, com mais de um milhão de votos sobre o adversário Miguel Arraes.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo