
ENTREVISTA / Mendonça
Filho
Na
aliança entre PMDB e PFL as divergências são
mínimasUm
dos articuladores e também um dos
bombeiros da aliança PMDB/PFL, o
vice-governador José Mendonça Filho (PFL) não vê
nenhuma falha significativa ou divergências internas que
tenham determinado o segundo turno nas eleições do
Recife. Segundo ele, da mesma forma como Roberto
Magalhães venceu o primeiro turno, terá condições de
ganhar nesta segunda etapa. Ele diz que há um clima de
harmonia na aliança, Mas nem sempre a relação
das pessoas é de consenso permanente, porque cada um é
uma cabeça. Mendonça aproveita para desafiar os
que tecem, nos bastidores, críticas à condução do
processo para que as façam abertamente. Nesta entrevista
ao repórter Sérgio Montenegro Filho, ele também aponta
como decisiva a incorporação do PSDB ao bloco PMDB/PFL
e diz que a indicação de Sérgio Guerra partiu dos
tucanos, por isso não cabe aos demais partidos nenhum
questionamento.
JORNAL DO COMMERCIO
O sr. vê alguma perspectiva de abalo na aliança
PMDB/PFL no caso de uma derrota de Roberto Magalhães
neste segundo turno?
MENDONÇA FILHO Não avalio dessa forma, mesmo
porque, acho que o prefeito vai reverter o quadro.
Iniciamos praticamente na quinta-feira passada a campanha
do segundo turno, com o Guia Eleitoral que tem um poder
significativo junto ao eleitorado. Eu não trabalho com a
perspectiva de derrota.
JC A convocação feita por Jarbas Vasconcelos na
semana passada, em discurso no comitê de Magalhães, foi
uma injeção de ânimo na militância. Mas também
passou a idéia de um recado para alguns setores...
Mendonça Acho que foi muito mais uma
sinalização de que a campanha estava recomeçando e era
importante manter a mesma participação do 1º turno. O
nosso candidato venceu a primeira etapa com mais de 49%
dos votos e por pouco não definiu logo a eleição. Se
teve esse desempenho no primeiro turno, por que não
seria possível repetir e até melhorar no segundo turno?
O esforço do primeiro turno deve se repetir e o que
Jarbas quis alertar é que cada um não deve desistir do
trabalho de militância.
JC Por mais que se costure, que se elimine as
divergências, não é possível que uma aliança tenha
100% de concordância e seja perfeita e acabada. Os
pequenos problemas surgem de qualquer forma. Isso
atrapalhou a campanha?
Mendonça Não vejo nenhuma divergência interna
que tenha comprometido a campanha de Roberto Magalhães.
Sequer me recordo de algum fato de maior importância.
Agora, a relação das pessoas nem sempre é de consenso
permanente, porque cada um é uma cabeça. Mas na
aliança há uma grande convergência harmônica e as
divergências são mínimas.
JC Nos bastidores, desde o início, há quem
explicite discordâncias. Uma delas é com relação à
escolha do candidato a vice-prefeito. Até que ponto esse
descontentamento deu trabalho aos artífices da aliança?
Mendonça Eu preferia que as pessoas se
manifestassem abertamente a esse respeito. Não dá para
ficar comentando afirmações de bastidores. Foi
importante para a aliança a incorporação do PSDB. É
um partido relevante, tem um enorme tempo no Guia
Eleitoral e contribuiu para a campanha de Roberto
Magalhães. Não costumo contestar a autonomia dos
partidos. Se o PSDB indicou Sérgio Guerra, é uma
questão interna.
JC A aliança é algo que vem sendo construído
desde 1993, e por isso, está sujeita a análises para se
identificar onde são necessários ajustes. O sr. avalia
que será preciso uma reflexão depois das eleições,
para avaliar onde houve falhas no processo?
Mendonça A convivência da vida se repete na vida
pública. Estamos sempre em construção. O processo
político é dinâmico. Hoje, em Pernambuco, vivemos um
clima diferente, com mais harmonia na convivência dos
partidos. Claro que as coisas precisam de tempo para se
sedimentar, mas com certeza já estamos vivendo uma nova
realidade política, que tem contribuído para o
desenvolvimento econômico e social do Estado.
JC Alguns entusiastas diziam que a aliança
PMDB/PFL tinha sido feita para garantir um mínimo de 20
anos de poder. O sr. acha que esse bloco será tão
duradouro assim, mesmo com surpresas como
este 2º turno no Recife?
Mendonça A aliança não visa projetos
individuais. O próprio Jarbas Vasconcelos, quando se
colocou como opção para o PMDB e o PFL em 98, por mais
de uma vez disse que se houvesse um nome que aglutinasse
mais forças em favor do Estado, retiraria o seu da
disputa. E aquilo não foi um exercício de retórica.
Quem conhece Jarbas sabe que ele falava a sério.
Construímos essa aliança para fortalecer Pernambuco,
para resgatar a economia e a condição histórica do
Estado. É um projeto da União por Pernambuco, e o
Recife é uma parte desse projeto.
JC No Estado, o Palácio contabilizou a vitória
de 134 candidatos seus a prefeito nessa eleição. Mas
sabe-se que em alguns municípios o Governo manteve a
neutralidade, mesmo porque, em alguns locais o PMDB e o
PFL disputavam entre si. Nesses casos, é possível
contabilizar a vitória de um desses partidos sobre o
outro como uma vitória da aliança?
Mendonça O Governo nunca colocou nesses termos.
Ao fazer o primeiro balanço das eleições, Jarbas
lembrou que o Governo Arraes tinha publicado nos jornais
em 96 que teria saído vitorioso em 101 prefeituras.
Jarbas avaliou que aquilo não traduzia uma perspectiva
de resultados futuros para o Estado. Por isso, ao avaliar
a eleição deste ano, ele apenas mostrou a realidade do
mapa político do Estado, apontando onde estão os
aliados, mas sem dizer que era um triunfo, uma
demonstração de força, como fez o Governo Arraes, mas
sim um contexto de um processo eleitoral.
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