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HISTÓRIA II
Prontuários contêm dados sobre acusados de praticar subversão

Em 1º de maio de 1972, auge do regime militar de 64, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, faz uma declaração pública, denunciando “ao povo e ao episcopado” desaparecimentos, seqüestros e prisões, sobretudo de estudantes e operários, no Recife. Dom Hélder diz que os métodos desrespeitam a própria Lei de Segurança Nacional e o AI-5. “Não há ordem de prisão devidamente datada e assinada por autoridade competente e com indicação de motivo. Sempre com violência extremada, depredação de residência, e até no trabalho”, relata as arbitrariedades.

Arraes era “criptocomunista”, “tarefeiro do PC” e “chefe nominal da subversão no Nordeste”. O ex-governador, deposto em 1964, era o político mais temido pela ditadura em Pernambuco. Em 22 de maio de 1965, o delegado-auxiliar de Segurança Social, Álvaro da Costa Lima, passa um radiograma às estações do interior, ordenando “a captura de Miguel Arraes, ex-governador deste Estado”. As divisas de Pernambuco chegaram a ser fechadas, mas Arraes já estava asilado na residência do Governo da Argélia.

O romancista Jorge Amado não desembarcava no Porto do Recife, na segunda metade da década de 30, sem que já não o esperasse um investigador de polícia. Em dezembro de 1937, chegou a ser impedido de desembarcar. Amado tinha sido preso em 1936, no Rio de Janeiro, acusado de de participar da sublevação de 1935, a Intentona Comunista.

Jarbas Vasconcelos “é um comunista-marxista declarado”. O atual governador de Pernambuco tem bem clara, no seu prontuário do Dops, a sua opção ideológica. Uma das lideranças do MDB, nas décadas 60 e 70, Jarbas era odiado pela ditadura devido aos discursos contundentes contra o regime militar.

Nascido em Olinda, o estudante universitário Fernando Santa Cruz desapareceu no Rio de Janeiro, em 1974, gerando a indignação do mais importante advogado de presos políticos do País, Sobral Pinto. Em carta ao ministro da Justiça, Armando Falcão, Sobral se manifesta sem assombração: “De tal modo se instaurou, no País, o regime da irresponsabilidade, sobretudo, no que se refere aos direitos fundamentais do homem, que são desrespeitados e feridos por autoridades civis e militares...”.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.10.2000
Domingo