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500 ANOS II Escravidão teria atrasado o nosso desenvolvimento por João Magalhães Algumas décadas a menos de escravidão, e talvez o Brasil fosse hoje um país desenvolvido. Ainda que este raciocínio mereça várias ressalvas jamais se comprovará , em torno dele se unem pensadores de diversas formações, desde os liberais até os chamados economistas de esquerda. Porque sintetiza a noção do atraso brasileiro. Ficamos presos na escravidão e sua estrutura de produção arcaica, e demoramos a entrar no capitalismo, resume Paul Singer, economista, professor da USP e um dos mais requisitados estudiosos da trajetória econômica brasileira. A escravidão representou não só a violência, mas também o obstáculo à educação e à cidadania. Se tivéssemos garantido educação eficiente ao povo, teríamos um país diferente, teríamos crescido muito mais, assegura o empresário Antonio Ermírio de Moraes, superintendente do Grupo Votorantim, o maior conglomerado industrial brasileiro. A escravidão significou, portanto, uma massa de trabalhadores sem preparo, sem emprego e sem possibilidade de consumo, fechando um círculo vicioso que abortou o desenvolvimento de cadeias produtivas inteiras. E revelou a falta de visão da elite, que resistiu até o último instante para encarar o desafio da industrialização e do regime de mercado. Curiosamente, a maior potência do mundo hoje é um país da mesma safra que o Brasil. Mas enquanto os poucos empreendedores brasileiros como o Barão de Mauá, com suas ferrovias e forjarias agiam isolados, os EUA articulavam um plano de desenvolvimento, com indústrias e um mercado competitivo. Não é a herança portuguesa ante a inglesa, nem o catolicismo ante o protestantismo que nos faz menos desenvolvidos que os norte-americanos, e sim os 30 anos que perdemos enquanto os EUA se estruturavam no capitalismo e consolidavam sua posição no mundo, afirma Singer. Mauá provavelmente antevia o desastre brasileiro com a falta de um mercado interno que suportasse sua própria economia. Sinal disso é que era abolicionista. Mas o choque entre a burguesia emergente e a oligarquia escravocrata demorou a abrir espaço para as inovações. O País manteve a velha toada de exportador de produtos primários. E até hoje estamos numa sinuca, tendo de decidir se desejamos ser só exportadores de matérias-primas ou de inteligência, reclama Antonio Ermírio. Mas o Brasil começou de um jeito produtivo, que garantiria uma chegada mais rápida à modernidade. Fomos a única colônia do continente cuja economia começou na agricultura e não no puro extrativismo, diz Singer. |
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