
MÚSICA
Show do
cantor foi o melhor do PercPan A maioria dos jornalistas foi
unânime em considerar o show de Lenine e do Pife Muderno
como o melhor da sétima edição do Panorama Percussivo
Mundial PercPan que, por cinco dias, fez de
Salvador a capital da percussão do País.
A gente só ensaiou
dois dias - garante Lenine o que acontece é que
eu e Carlos Malta (flautista e exímio no pife) somos de
uma mesma geração, nos conhecemos quando cheguei ao
Rio, temos muitas afinidades.
Estas afinidades foram
comprovadas em meia hora de palco. Tanto o Pife Muderno
deu uma nova roupagem às canções conhecidas de Lenine
(A ponte, Leão do Norte), quanto mostrou perícia
instrumental em peças como Ponteio (Edu Lobo/Capinam).
O grupo foi aplaudido de
pé e reclamou do bis que não saiu. Vale a pena
ressaltar que a platéia, predominantemente baiana,
minutos antes quase chega ao delírio, com um trio de
badaladas musas do axé: Daniela Mercury, Ivete Sangallo
e Margareth Menezes. Elas participaram de um recital
pomposo e conceitual, com direito a leitura de trechos da
carta de Caminha.
Depois de Lenine veio a
apresentação, curta, do grupo marroquino Hassan
Hakmoun. Um show que não chegou a entusiasmar, apesar da
energia que os músicos passam, com a percussão num moto
contínuo, enquanto um dos integrantes dava saltos
mortais e Hakmoun entoava canções em árabe.
A última atração foi a
música da Jamaica, representada por Rita Marley e os
grupos Dalvey Kumina Group e o Blue Gaze Mento Band.
Ambos pela primeira vez tocando fora do seu País. O
Dalvey Kumina faz música religiosa, um primo não tão
distante do candomblé. A banda faz uma música triste e
ao mesmo tempo balançada, uma das fontes onde bebeu o
reggae. A fonte principal veio logo em seguida, com o
Blue Glaze Mento Band, um grupo de mento, um ancestral do
reggae. Os músicos da Blue Glaze trajam-se como se
houvessem saído dos anos 50, assim como o som que fazem.
Com a entrada de Rita
Marley, poltronas já eram. Todo mundo partiu para o
gargarejo, dançar ao som do mento/reggae. Isto depois
que Gilberto Gil e Rita Marley fizeram uma sessão
rasga-seda, com elogios mútuos, culminando com a
promessa da viúva de Bob Marley de estar no carnaval
baiano em 2001, trazendo todo o clã, inclusive a nora,
Lauryn Hill. (J.T.)
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