
ESCRITA
As
In(ter)venções de Amílcar Depois de sua premiada dedicação como
escritor de ficção, Amílcar Dória Matos iniciou ano
passado um novo estágio na sua carreira, o de poeta. O
resultado foi o belíssimo A Palavra Escassa, um
livro no qual Amílcar decorreu sobre os vários caminhos
que a palavra pode percorrer para chegar e emocionar o
leitor. Experiente com as letras, Amílcar decidiu entrar
nesse novo terreno sabendo que, na poesia, os recursos do
poeta são menores do que de outros tipos de escritores.
Afinal, o poema não comporta o mesmo espaço
de tempo e terreno que um romance e um conto. Tudo é
curto, rápido e a necessidade de ser certeiro é mais
exigida. Por isso, a escassez. Quando um
verso consegue atingir um leitor, é como um soco, que
dependendo da força, pode alimentá-lo até o fim da
vida.
Após a bem-sucedida
estréia, Amílcar volta agora com In(ter)venções,
no qual o problema com as palavras volta a ser o seu
assunto. Dessa vez elas não são escassas. São amplas,
tão amplas que uma acaba tornando-se outra subitamente,
sem maiores explicações.
Só que Amílcar não
escreve poemas para simplesmente ficar brincando com as
palavras, pelo contrário. Ele brinca com as
sílabas e com os sentidos que esse jogo pode derivar
para falar de coisas sérias, pesadas. São pequenas
reflexões sobre a idade, a dor, o amor e as perdas do
cotidiano. Um bom exemplo é o seguinte poema: A
mortalha do amor/ Há mortalha no amor/ O amor tece a
malha/ O amor talha a sorte/ A morte talha o amor/
Amor-mortalha/ Mortalha-mor.
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