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PNEUMONIA
Doença vem se tornando cada vez mais difícil de tratar

por VERONICA ALMEIDA

Uma das principais causas de morte de pessoas maiores de 60 anos no Recife, a pneumonia vem vencendo, com uma freqüência cada vez maior, a penicilina e outros remédios do gênero. “O uso indiscriminado de antibióticos tem levado à mutação dos microrganismos causadores da doença e à resistência deles aos medicamentos", alerta o pneumologista Blancard Torres, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Segundo o médico, a dificuldade de diagnóstico e tratamento causada pela resistência de bactérias é hoje um dos maiores desafios na luta para curar pacientes com pneumonia. “Os antibióticos podem matar bactérias que convivem normalmente no organismo e deixar campo aberto para aquelas que realmente fazem adoecer”, explica, chamando a atenção principalmente de pessoas que fazem automedicação, sem orientação médica.

Com o uso indiscriminado de antibióticos, os germes atípicos vêm ganhando importância, completa o médico. Antes, a grande maioria dos casos era atribuída à bactéria pneumococos, considerada um germe típico. “Hoje, 50% estão relacionados a novos agentes, onde estão incluídos os germes atípicos”, informa. Entre esses atípicos, estão a chlamydia, o mycoplasma e a legionella.

Além de mais resistente aos remédios, os agentes causadores de pneumonia encontram facilidades para agir. A desnutrição e o aparecimento de doenças que deixam o sistema imunológico fragilizado, caso da Aids, favorecem um maior adoecimento da população por pneumonia. “Pessoas que moram em favelas, em pequenos barracos, com poucas condições de higiene, e se alimentam mal são fortes candidatas a ter pneumonia”, afirma. O mesmo acontece com dependentes do álcool e do cigarro, além de portadores de doença renal, hepática ou cardíaca crônica.

A idade também conta na suscetibilidade à doença. Blancard Torres lembra que os bebês e os maiores de 60 anos, pela fragilidade das defesas do organismo, acabam mais vulneráveis à ação de vírus, bactérias, fungos e micobactérias. E são maiores as chances de morte. Segundo levantamento da Secretaria de Saúde do Recife, cerca de 25% dos 842 idosos que morreram na cidade, em 1998, vítimas de doenças do aparelho respiratório, tinham desenvolvido gripe e pneumonia. Diabetes e doenças do coração, comuns com o avanço da idade, deixam o idoso mais frágil à ação da pneumonia, que pode ser bacteriana ou mesmo viral (o vírus da gripe também causa pneumonia).

DOENÇA – Processo inflamatório e infeccioso do pulmão, pneumonia pode ter sintomas clássicos, como febre, catarro amarelo, dor no peito ao respirar, como também dar sinais discretos. Em um ou em outro, o risco de evoluir para algo mais sério existe. “Em geral é interessante tratar o doente de pneumonia em casa, mas quando há complicações, às vezes é necessário interná-lo em hospital”, afirma o médico. Ele afirma que pneumonias virais e causadas por germes atípicos são mais contagiosas.

Mas por que a inflamação dos pulmões pode matar? O pneumologista explica que insuficiência respiratória, meningite, derrame pleural e até infecção generalizada podem ser desenvolvidos a partir de uma pneumonia. As complicações podem levar à morte do paciente.

O tratamento é feito com antibiótico, se a doença for causada por bactéria. O problema é encontrar o antibiótico certo para o tipo de agente causador da doença. Se o agente for resistente, é preciso usar drogas bastante potentes e o tratamento, ao dia, pode custar de R$ 10,00 a R$ 12,00.

PREVENÇÃO – Para os idosos, a recomendação básica é procurar se vacinar contra o pneumoccos, a bactéria mais comum. Mas a vacina deve ser tomada antes do inverno, quando este tipo de infecção se torna mais freqüente. A imunização, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, garante, por aproximadamente cinco anos, proteção de 70% em pessoas normais, com um bom sistema imunológico. A 2ª Campanha Nacional de Vacinação do Idoso, que será realizada em todo o País a partir da próxima segunda-feira, inclui a vacina, mas só para aqueles que estão em asilos, hospitais e pousadas geriátricas.

Outra vacina importante para os maiores de 60 anos é a da gripe. O vírus também pode desencadear pneumonia diretamente ou abrir caminho para que ela se instale através de um bactéria. A vacina contra o influenzae estará disponível na campanha para todos os idosos, vivendo ou não em abrigos. Sua validade é de um ano.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.04.2000
Terça-feira