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PROTESTO Via-Sacra condena o desemprego
Uma Via-Sacra diferente tomou conta da avenida Boa Viagem na noite de ontem. Um Jesus Cristo desempregado foi chicoteado por políticos, empresários, juízes de direito e outros representantes da elite brasileira. Em sua cruz, estavam inscrições com a frase Não há Vagas. As cenas, na realidade, fizeram parte do protesto organizado para a semana da Páscoa pelo Movimento de Mulheres Contra o Desemprego. O Cristo que foi crucificado há 2 mil anos, hoje está sendo novamente crucificado nos milhares de desempregados do Brasil, comparou a coordenadora do Movimento Edla Maria Noronha. Os números da triste realidade social brasileira também não foram esquecidos. Entre as várias cruzes carregadas nas mãos das dezenas de senhoras com uma carteira de trabalho amarrada, alguns cartazes lembraram a situação. No Recife, são 321 mil pessoas sem posto no mercado de Trabalho. Já no Brasil, a quantidade chega a 10 milhões. O local escolhido para o protesto não foi aleatório. Viemos para Boa Viagem que é um bairro de classes mais favorecidas porque é também um lugar de descaso com o assunto. As pessoas não se preocupam com o drama dos irmãos que estão desempregados, analisou Edla. Como ocorre na Paixão de Cristo, o protesto foi dividido em estações. Quatro, no entanto. Na primeira, um ator representando Jesus vai a caminho da morte na cruz enquanto os Pilatos modernos lavam suas mãos. Na pele daquele que se omitiu ao drama de Cristo, estavam mulheres vestidas de políticos e empresários, considerados os omissos do presente. Na segunda estação, Jesus se encontra com as mulheres. Elas também são marginalizadas por lutar pelo que Jesus defendeu, disse Edla. Antes de ser crucificado na cruz do desemprego, as mulheres simbolizaram o encontro de Jesus com alguém que lhes presta solidariedade. Uma tentativa didática de ensinar os cidadãos a serem solidários. MCD - O Movimento, formado por mulheres cristãs, foi lançado no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 1999. Como mães de famílias com histórias de desemprego, sentiram na pele o problema. Uniram-se a outros grupos para lutar contra o atual modelo econômico que consideram opressor. |
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