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Turismo com sustentabilidade Não é fatal o ciclo da expansão, apogeu e estagnação de balneários (inclusive praias) e outras estações de veraneio e lazer, tudo aquilo que, no negócio do turismo, se convencionou chamar de resort, expressão considerada mais chique. É o que nos ensina o professor Nilson Crocia de Barros, do Departamento de Geografia da UFPE e autor do livro Manual de geografia do turismo. Em artigo neste Jornal do Commercio sobre sustentabilidade, meio ambiente e turismo no Nordeste, ele afirma, com razão, que por mais que possam parecer fundamentadas e convincentes as idéias que dominam a cena da difusão do turismo no litoral de nossa região e do Brasil, temos que discuti-las, questioná-las; cooperando assim positivamente na construção de uma experiência de desenvolvimento regional socialmente integradora e sustentável. As idéias dominantes a que se refere são a de que a região tem condições para uma bem-sucedida exploração turística, devido a condições naturais; e a de que o setor turístico dispõe de capacidade geradora de empregos e oportunidades de investimento. Isso é importante, mas não basta ter belas praias e muito sol para organizar um sistema turístico; e os empregos e oportunidades de investimento podem se evaporar rapidamente se não se praticar um desenvolvimento econômica e socialmente sustentável, que seja também progresso e gere civilização; se o meio ambiente for depredado, como é costume entre nós. Se muita gente que está no negócio do turismo não pensa assim, ainda não se conscientizou para a realidade de que é mais rentável, simplesmente viável, a inclusão do turismo em um desenvolvimento sustentável, os poderes públicos têm o dever, a obrigação, de mirar alto, de tomar as providências indispensáveis para estancar a depredação de um meio ambiente tão privilegiado. Alguma coisa se tem feito nesse sentido, mas ainda é muito pouco. De um modo geral, os prefeitos da região litorânea, encantados com a perspectiva de mais movimento, maior arrecadação de impostos, esquecem completamente que há maré alta e maré baixa; que os oceanos, em áreas planas e ao nível do mar, não têm limites definidos, avançando e recuando segundo suas próprias leis e também, freqüentemente, devido a obras construídas pelo homem; que a vegetação nativa costeira é da maior importância na fixação dos solos e na contenção do mar em seus caprichos; que construções à beira da praia, praticamente dentro do mar, são uma temeridade, além de tirar o gosto específico da paisagem costeira etc. Privatizam-se praias, ao arrepio da lei, aterram-se mangues e braços de rios, constroem-se obras que tumultuam o equilíbrio ecológico. Assim, a serpente do oportunismo imediatista vai transformando em inferno o paraíso que a natureza nos deu de presente. Os turistas que querem conforto, mas também usufruir as belezas naturais da região, vão se afastando, os negócios e empregos minguando, e chega-se à última etapa daquele ciclo que começara com expansão e prosseguira em apogeu; vem a estagnação e tudo se banaliza na sujeira provocada por visitantes de fim de semana sem informação sobre higiene e sem a mínima consciência ecológica. O citado professor afirma que a sustentabilidade é do interesse das populações locais (empregados, médios e pequenos empregadores), que terão de deixar de operar uma vez esgotadas e depreciadas as vantagens naturais. Sendo assim, o momento seria propício a uma discussão não retórica sobre sustentabilidade. Muitos empresários das estações de veraneio litorâneas do Nordeste, deslumbrados com o momento mágico das primeiras etapas do ciclo de que fala Barros, nem se preocupam com o desenvolvimento predatório que patrocinam; muito menos com a entrada na última etapa do ciclo. Há tempo ainda para bloquear o consumo destrutivo do território em muitos ecossistemas, preservando falésias e restingas, sistemas dunares e estuarinos, remanescentes da mata litorânea (Atlântica), criando-se aqui e ali, por opção municipal, nesse litoral tão singular, resorts de padrão diferenciado e ecologicamente orientados, distintos, por opção de modelo, dos outros resorts que foram ou estão sendo irreflexivamente arrastados pelo modelo convencional do turismo litorâneo, acredita o professor Barros. Para tanto, é imprescindível um entendimento e parceria entre empresários do turismo e poderes públicos, com opção de forte gestão de sustentabilidade; o que já está sendo tentado. |
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