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O reino do raciocínio lógico ganha novos adeptos por Luiza Modesto Todos os sábados à tarde, chova ou faça sol, um grupo de pessoas se reúne, há mais de 20 anos, no Hotel do Sol, na Avenida Boa Viagem. Eles têm um encontro marcado com reis, rainhas, bispos, torres, cavalos e peões do reino do abstrato e do raciocínio lógico. Nas quatro, cinco horas de jogo, muitas brincadeiras e algumas doses de uísque passam despercebidas pelas mãos dos apreciadores das reuniões de xadrez. Esses enxadristas de fim de semana se enquadram na melhor categoria do jogo: aqueles que jogam por puro divertimento. Nada mais. Além das regras básicas, que devem ser respeitadas sempre, o que vale é relaxar e interagir socialmente, longe do estresse da jornada de trabalho semanal. Aqui, ninguém toma nota de nada, ninguém participa de torneios. É um encontro informal entre amigos que têm o xadrez como uma opção saudável de diversão, avisa o engenheiro industrial Erick Figueiredo, que acaba de perder para Adalberto Brito, também engenheiro. Entra em cena o químico Arnô Bittencourt, desafiando Adalberto para uma partida-relâmpago a preferida dos jogadores de beira-mar. Nós começamos nos reunindo na casa de um e de outro, com o pessoal do consulado inglês. Até que um dia, Paulo Tavares Correia, proprietário do hotel que também é um apreciador de xadrez, cedeu-nos uma sala no andar superior do edifício. Já houve muitas modificações nesse local, mas o nosso espaço sempre foi preservado, comenta o desafiante. XADREZ NA ESCOLA Enquanto os aficionados do xadrez do Hotel do Sol digladiam-se por puro lazer , milhares de crianças da cidade aprendem e se beneficiam das qualidades deste jogo milenar dentro da própria sala de aula, há cinco anos. A iniciativa partiu do Colégio Preparatório Integrado (CPI), localizado no Dérbi, que, por conseguinte, inspirou o Colégio Real da Torre, situado na Madalena. A idéia nasceu da experiência nas escolas municipais curitibanas, que em 93 incluíram o xadrez no seu programa curricular. As notícias que vinham do Sul comprovavam que esta atividade influenciava substancialmente o desempenho das crianças na matemática e no comportamento social. Inspirado nos resultados positivos dessa cidade, o professor Fialho Filho, diretor do CPI, decidiu adotar o mesmo experimento. Marileide Mandarino, responsável pela direção do Real da Torre, entusiasmada com os frutos colhidos no Paraná e no Dérbi, repetiu a fórmula, abrindo espaço para a nova matéria. Em ambas escolas, a iniciativa tem dado certo. Desde sua implantação, os alunos da 1ª a 8ª séries dos dois colégios têm semanalmente 45 minutos de estudos teóricos e práticos de xadrez, com professores especializados. O pioneiro CPI conta com quatro instrutores: Gaudêncio Costa, Ribamar Neves, Flávio Santiago e Luís Henrique. Otávio Araújo e Flávio Santiago respondem pelas turmas do Real da Torre. |
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