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Um jogo para ficar pensando melhor

Bruno Lopes, Carolina Burgos, do CPI, Renato Mostaert e Woody Pontes, do Real da Torre, são alguns dos que nunca haviam se deparado com um tabuleiro de xadrez . Hoje, familiarizados com os diferentes movimentos das peças, concordam em uníssono que o estudo deste esporte ajuda a pensar melhor e estimula o raciocínio.
Orgulhoso da opinião das crianças, o professor Gaudêncio esboça um sorriso e acrescenta: “As regras de xadrez dão noções claras de limites, criando o hábito de pensar até três vezes antes de agir”.

Além de prudência, memorização e agilidade de pensamento, ele acredita que este jogo milenar contribui na formação de pilares básicos da personalidade. Entre eles, a auto-confiança e a tomada de decisões com fundamento analítico.

O lado social também sai beneficiado com o xadrez. “Incorporamos este esporte no currículo porque sua prática disciplina seus jogadores, pois exige muita concentração. Os alunos com problemas de dispersão e os mais ativos saem ganhando com a experiência”, adianta Mandarino.

As regras, por sua vez, têm um papel fundamental na conscientização dos limites, influenciando favoravelmente no comportamento dentro da escola e fora dela. “Nós temos casos concretos de mudança positiva no comportamento de alunos com características agressivas e introspectivas”, revela.

PROFISSÃO – Guilhermino Nogueira, 14, e Hudo Alcoforado, 15, não estudaram na Academia Pernambucana de Xadrez. São simplesmente freqüentadores eventuais. Tampouco suas escolas, Contato e Colégio Militar respectivamente, têm como disciplina obrigatória o xadrez. Não obstante, despontaram como enxadristas-revelação do Campeonato Pernambucano de Xadrez Absoluto realizado este ano na academia.

Campeão Norte e Nordeste de 99 e duas vezes vice-campeão pernambucano, Guilhermino pensa seriamente em encarar o xadrez como profissão, seguindo o exemplo do gaúcho Giovanni Vescovi, 21 – grande mestre FIDE (Federation Internacionale des Echess) e campeão brasileiro de 98. “Eu dedico duas horas diárias para o xadrez. Sei que é pouco. O ideal é cinco, mas minhas disciplinas regulares não permitem”, confessa.

O desejo de Guilhermino de seguir os passos de Vescovi esbarra noutra razão: falta de patrocínio para participar de campeonatos em outras cidades. No fim do mês, por exemplo, acontecerá em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, o Pan-Americano. Em maio, é a vez do Campeonato Escolar Brasileiro. A vontade de participar é grande, o talento idem. Segundo Asfora, ele é o melhor na sua categoria.

Este empecilho é compartilhado por Valéria Maranhão, aluna da 5ª série no CPI. Três vezes vice-campeã feminina do Jogos Escolares Pernambucanos, a jovem enxadrista já tem um book pronto, organizado com fotos e um breve histórico. “Eu também gostaria de conseguir um patrocinador”. Os três primeiros passos já foram dados pela dupla: vontade e desejo de aprender cada vez mais e os books.

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Jornal do Commercio
Recife - 14.04.2000
Sexta-feira