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A verdade na cozinha do Wadamon por Flávia de Gusmão Como você se sentiria se alguém, de fora, resolvesse servir feijoada para um grupo de pessoas que nunca ouviu falar do prato e a preparasse assim: feijão, acelga, carne de bode e salsa. Como se não bastasse, essa pessoa ainda dissesse que é assim que se come no Brasil e aconselhasse: sirva frio. A metáfora é exagerada, mas didática. É assim que o japonês M. Wada, do restaurante Wadamon, se sente em relação à explosão de restaurantes que se dizem japoneses e que, na verdade, servem apenas contrafações, imitações pálidas, da verdadeira e milenar cozinha nipônica. Wada tem toda a paciência do mundo para explicar tudo, a começar pela forma correta de segurar o ohashi, técnica que 90% dos brasileiros não conseguem dominar. É natural que seja assim afinal, as crianças japonesas começam a treinar desde os dois anos de idade e, infelizmente, até os jovens de lá estão abandonando esta tradição, lamenta. A manutenção da sua cultura aparece sempre em primeiro lugar nas conversas que Wada trava por sobre o balcão, onde ele prepara na hora o pedido do cliente. O pior é aprender errado e ficar imaginando que essa é a forma boa, alega. No dia-a-dia, o mestre japonês, natural de Wakayama-Ken, uma cidade perto de Osaka, a mesma onde nasceu o oitavo Shogun, se contenta em preparar os pratos mais conhecidos e, por isso mesmo, os mais pedidos pelo público local. Mas, se tiver uma chance, Wada vai mostrar todo o seu pendor artístico presente em todo cozinheiro japonês que se preze para montar as mais extraordinárias esculturas feitas com o peixe cru, base da alimentação do seu povo. É assim que surge na mesa finíssimos sashimis que se intempõem em camadas e formam duas cegonhas em pleno vôo. As cegonhas, assim como as tartarugas, são símbolos de longevidade. Oferecê-las é desejar que o convidado viva mil anos, explica. Alguns pratos, de tão incompreendidos, chegaram a sair do cardápio e só são preparados sob encomenda. O Sunomono, por exemplo. Servido num pequeno recipiente de cristal, em nada lembra aqueles pepinos fininhos embebidos em molho agridoce. Os pepinos estão lá, mas junto com generosas porções de kani, polvo e peixe. Ir ao Wadamon é mais que uma recompensante experiência gastronômica é curvar-se diante da experiência de um mestre. Wadamon Rua Thomé Gibson, 376, Pina (A rua do Aeroclube), fone: 327.5000 |
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