LG_jc.gif (3670 bytes)

GOLEIRO
Caetano não quer sair dos Aflitos

Nada de cara feia, respostas curtas e grossas ou ‘fugas’ da imprensa. No dia seguinte ao jogo em que nada deu certo, o goleiro Caetano encarou microfones, gravadores e canetas sem demonstrar sinais de que estaria saindo do clube – como chegou a ser cogitado, desde o fim do Clássico das Emoções. Se depender dele, Caetano, o Náutico será sua casa até o fim do contrato.

O atleta não fugiu à culpa e assumiu os erros nos dois primeiros gols do Santa Cruz. Consciência de que foi uma má jornada ele tem, só a resposta diferiu daquilo que a maioria dos torcedores timbus desejavam. “Nunca passou pela minha cabeça sair do clube. Não sou covarde, vim para vencer”, disparou o goleiro.

Caetano reiterou que não tem motivo para se preocupar, pois está consciente de que trabalha correto, desde o primeiro dia de Náutico. Nem mesmo a ira de 80% do estádio – correspondente à torcida alvirrubra. “O que o torcedor falou é normal dentro do futebol”, disse. Ele garantiu que nem mesmo a noite de sono foi prejudicada, pois cresceu pegando bola. “Foi só uma pedra no caminho”, sentenciou.

Agora, é dar a volta por cima. E para isso, Caetano citou como exemplo o goleiro Marcos, do Palmeiras e da Seleção Brasileira. Ele tomou dez gols em dois jogos e não se abalou. Da mesma maneira, promete não se abater com o banco de reservas e voltar por cima. “Nenhum jogador gosta de ficar no banco e vou trabalhar muito para voltar”, afirmou.

MUDANÇAS À VISTA – Entretanto, as palavras do goleiro parece não encontrar eco na diretoria. Anteontem à noite, o gerente de futebol alvirrubro, Édson Nogueira, viajou a São Paulo para acertar a transferência de Fabrício e trazer novos jogadores, incluindo aí um goleiro (podem ser dois). O próprio treinador, Luís Carlos Cruz, elaborou uma lista de três atletas junto com o preparador de goleiros, Mauri. “Entregamos uma lista e Edinho deve fechar com um deles”, afirmou.

Mesmo assim, Luís Carlos não pretende se desfazer de Caetano. Na opinião do treinador, trata-se de um profissional sério, mas o tirou do time por causa do clima hostil que se formou. “Nunca tinha visto uma coisa dessas”, surpreendeu-se.

Entre os jogadores, o clima era de apoio ao colega. O lateral-direito Carlinhos, disse que a culpa foi de todos. “Pecamos na defesa e faltou atenção nos gols que tomamos”, apontou. O meia Fábio Melo bateu na mesma tecla. “Agora temos que esquecer esse jogo e pensarmos no futuro. Nosso time vem subindo de produção”, destacou.

-----------------------------------------------------------------------


Jornal do Commercio
Recife - 18.04.2000
Terça-feira