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PARTICIPAÇÃO
Hospitais e ONGs estimulam parto natural

Em outdoors espalhados pela cidade ou em VTs de 1 minuto na televisão, a campanha publicitária da organização não-governamental (ONG) Cais do Parto vem chamando a atenção da mídia para a necessidade do nascimento natural e do parto humanizado. A ONG tenta também sensibilizar e alertar a população para os riscos e prejuízos das cesarianas desnecessárias.

Consolidado em alguns países do primeiro mundo, como Holanda, Canadá e Alemanha, o parto humanizado vem ganhando espaço no Brasil. Aconselhada por amigas, a analista de sistemas Débora Aranha, 25 anos, resolveu optar por um serviço diferenciado que atendesse suas expectativas em relação à maternidade, amenizando seus medos e ansiedades, tão comuns ao momento. “Comecei a ler e pesquisar bastante, percebendo que quanto mais natural é o parto, melhor é para mãe e para o bebê".

Depois de participar de palestras e oficinas sobre o assunto, além de fazer o pré-natal, Débora escolheu o local em que queria ter seu filho e foi assistida pelo pai da criança e por uma parteira. "No quarto do bebê, pude viver um dos momentos mais intensos da minha vida. Minha filha Odara, que agora está com dois anos, foi recebida com muito carinho e conforto", relembra.

No atendimento à Débora, a parteira Suely Carvalho, fundadora do Cais do Parto, seguiu a risca o que já vem fazendo há 24 anos de trabalho: eleger valores humanizantes e vivenciar o nascimento como um evento importante para o núcleo familiar. "Seguimos o pensamento de que se a gestação não é doença, a mãe não precisa sofrer intervenções nem tomar medicamentos. Deixamos a mulher escolher a melhor posição e local para receber seu filho e oferecemos apoio e atenção especial".

SENSIBILIZAÇÃO – Com a implantação do programa de Parto Humanizado, em 1997 – sob a orientação do Grupo Curumim (ONG especializada em partos naturais seguindo os modelos indígenas) –, a maternidade Padre Geraldo Leite Bastos, em Ponte dos Carvalhos, no Cabo, conseguiu mudar o perfil de atendimento dos seus pacientes.

Do total de partos realizados, numa média mensal de 510 gestantes, 80% foram feitos pelo método natural. "Essa mudança permitiu à mulher escolher a melhor forma de parir, conhecer as vantagens do método e ser acompanhada durante o parto por uma pessoa de sua confiança e intimidade", explica a diretora da instituição, Ana Lúcia da Hora.

"O parto humanizado não se restringe à hora do nascimento, mas a todo um acompanhamento da gestante até depois do parto", ressalta o coordenador de obstetrícia José Carlos de Lima. Utilizando uma cadeira especial, denominada de módulo de parto, a gestante não é obrigada a se submeter a tricotomia (depilação), lavagem intestinal, episiotomia de rotina (corte realizado na vulva no sentido oblíquo para dar passagem à cabeça da criança) e amniotomia precoce, ou seja, o rompimento induzido das bolsas de água, que faz acelerar as contrações e o andamento do parto.

Na maternidade da Encruzilhada, uma equipe multidisciplinar vem tentando sensibilizar funcionários e estudantes de medicina para a questão da humanização dos serviços de saúde e os benefícios do parto natural e humanizado. A partir de amanhã, todas as mulheres vão poder ser acompanhadas no momento do parto e durante a internação. "Procuramos valorizar os aspectos psicossociais das pacientes e capacitamos 80% dos servidores para melhor atendê-las", explica a diretora Veranice Pereira.

Durante o parto, a gestante recebe atenção integral de um psicólogo. "Tentamos amenizar a tríade medo-tensão-dor, fortalecendo a confiança e respeitando as expectativas, medos e fantasias de cada paciente, individualmente", diz a gerente de psicologia Vânia Lacerda. Pelos serviços prestados, o CISAM está concorrendo ao prêmio Nacional Gauba Araújo por Serviços Humanizados de Atendimento à mulher. (J.M.)

Serviço
Cais do Parto – F. 432.5833
Grupo Curumim – F. 427. 2023
Maternidade da Encruzilhada –
F. 427. 3911
Maternidade Padre Geraldo Leite Bastos – F. 522 1626

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Jornal do Commercio
Recife - 16.04.2000
Domingo