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PARTICIPAÇÃO III
Paciente busca profissional mais atencioso e confiável

Antigamente, os médicos desfrutavam de grande prestígio, e a maioria das pessoas da mesma família era tratada por um único profissional, no qual era depositada muita confiança. Os médicos de família atendiam, geralmente, em domicílio, e os pacientes eram internados em sua própria casa, recebendo visitas periódicas do especialista. Apesar de contar com pouquíssimos recursos terapêuticos e muitas vezes não obterem êxito no processo de cura, os médicos desempenhavam um papel importante com relação ao alívio da dor e do sofrimento dos pacientes.

Neste final de milênio, o médico de família volta a ser valorizado, dessa vez somando os avanços tecnológicos no diagnóstico e tratamento de doenças a um atendimento mais atencioso nos consultórios. O acompanhamento médico acaba ganhando credibilidade dos usuários e ultrapassando gerações. É o caso da família da bancária Alessandra Nogueira de Abreu, 28 anos. Praticamente todos os membros foram ou continuam sendo cuidados pelo mesmo pediatra.

Segundo Alessandra, o grande diferencial do atendimento é ter segurança e saber que a qualquer hora do dia ou da noite o médico vai estar disponível para atender seus filhos, Júlia e Daniel. “Além de já ter resolvido e controlado problemas graves de saúde, certa vez o nosso pediatra nos atendeu em casa, durante uma emergência”. Detalhe: a pessoa que estava doente era uma ex-paciente, já em idade adulta. “O que demonstra o interesse e a verdadeira preocupação dele com a nossa família. Ele é considerado um amigo muito especial”, ressalta Alessandra.

O pediatra Fernando Azevedo confirma, com a devida modéstia, o envolvimento afetivo com seus clientes e acredita ser este um fator essencial para uma boa relação entre médico e paciente. “Há uma tendência mundial em trazer de volta o contato entre o médico e o paciente, valorizando a orientação e prevenção. O tratamento passa a ser baseado na confiança e na aproximação, itens fundamentais para se atingir o resultado esperado”.

De acordo com o pediatra, a responsabilidade profissional encontra-se diluída. Quase nenhum médico acompanha toda a história do paciente, e ninguém assume diretamente a responsabilidade por sua cura. “Os médicos se especializaram muito, se fastando do paciente, que passa a ser visto em partes. É preciso priorizar o relacionamento humano, reservar tempo para os pacientes, valorizar suas queixas e procurar dar-lhes o máximo de atenção”. (J.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 16.04.2000
Domingo