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NA REDE Terapia online começa a causar polêmica por MARCIA CEZIMBRA Você está desamparado? Quer um colo de mãe que o ajude a juntar os pedaços do eu interior? Basta fazer um depósito de R$ 20 a R$ 80 na conta bancária de um psicoterapeuta online para obter uma sessão num chat, o divã da Internet, tão virtual quanto as fantasias de felicidade plena. A existência de dezenas de sites de psicólogos, psicanalistas, terapeutas familiares e de grupo oferecendo atendimento online para desamparados, deprimidos, angustiados, histéricos ou obsessivos revoltou os profissionais off-line e instituições oficiais. O Conselho Federal de Psicologia, por exemplo, elaborou este mês uma resolução proibindo a cobrança de honorários online, cujo atendimento só pode ser feito a título de pesquisa. O presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio, Carlos Absalão de Souza, advertiu que os associados que insistirem na cobrança de honorários poderão sofrer punições de advertência à perda do registro. Estamos criando uma comissão de orientação e fiscalização para punir quem infringir o código de ética, alerta. A terapia online será gratuita apenas para os psicólogos, já que os psicanalistas, cuja regulamentação da profissão é nebulosa, podem clinicar à vontade. É o que diz a psicanalista Lazir Carvalho dos Santos, do Paraná, membro da Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil (SPOB), autora do trabalho "A Internet na psicanálise contemporânea", que dará cursos em julho sobre atendimento online na Universidade Federal de Brasília (UnB). Segundo Lazir a humanidade tende a rejeitar qualquer novidade. Depois, se dá lucro, ela a aceita. Foi assim com Freud e com a psicanálise convencional. A terapia online desinibe o paciente e deixa o psicanalista mais seguro, porque ele não se expõe aos sentimentos de ódio e amor do paciente que são transferidos para ele. O paciente vai fantasiar online? Deixa ele! Para mim, real é igual a virtual. E tenho que cobrar, porque todo mundo sabe que terapia sem pagamento não funciona, comenta. Para o presidente da SPOB, Oséas Machado, a psicanálise pode ser exercida por qualquer cidadão que faça um curso de formação. O da SPOB dura só 20 meses e escandaliza o psicanalista Wilson Amendoeira, presidente da Associação Brasileira de Psicanálise (ABP), que congrega todas as sociedades filiadas à International Psychoanalisys Association (IPA), fundada por Freud. O Ministério da Saúde admite a formação de psicanalistas exclusivamente por instituições reconhecidas pela IPA, o que não é o caso da SPOB. E o curso dura de quatro a oito anos. A ABP já abriu um processo em Brasília contra a SPOB por propaganda falsa e enganosa, diz Amendoeira. Já a psicóloga Marlene Dias da Silva, presidente da Unipsico, diz que é impossível a aliança terapêutica online. A relação terapêutica exige um contato vivo. As possibilidades de melhora vêm a partir de reações verbais e não verbais, onde o tremor das mãos, o sorriso, a voz a expressão facial são vitais para a comunicação entre paciente e analista, esclarece. SIMPATIZANTES Mas há quem defenda a terapia online. A presidente da recém-criada Associação Brasileira dos Profissionais de Saúde Mental Online (Abrapsmol), Marcia Homem de Mello, considera o atendimento ideal para pessoas muito fechadas, deficientes físicos que não podem se locomover, surdos ou brasileiros que moram no exterior. Atendo uma brasileira idosa, que morava nos Estados Unidos e queria perder a virgindade. Em pouco tempo de terapia online, ela conseguiu ter experiências sexuais com um americano e descobriu seu desejo inconsciente de voltar ao Brasil. Hoje ela vive aqui, leva uma vida sexual saudável e continua a terapia, que lhe fez muito bem. Esta mulher não conseguia falar sobre sua sexualidade. A Internet lhe abriu este caminho, teoriza. Outros psicanalistas mais relutantes, como Thais Sá Pereira e Oliveira, não resistiram à atração do atendimento online e, em suas pesquisas, constataram aspectos interessantes. É indicação para os que viajam muito ou que enfrentam o preconceito existente em cidades pequenas contra ir a um psicólogo. Fora isto, na terapia online a gente tem contato com a dor do paciente quando ela está ocorrendo e não depois que já passou, durante uma sessão. O paciente escreve um e-mail quando está só, angustiado e deprimido e não com hora e local marcado. |
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